Não! Visão de mundo não é necessariamente ISSO!

Não! Visão de mundo não é necessariamente ISSO!

Tenho tido pouca inspiração para escrever qualquer coisa mais profunda, ultimamente. Não que me falte assunto. Não é aquele  branco que nos deixa travados. É mais aquele sentimento de despropósito mesmo, de se estar com as mãos atadas. Não acontece com você de às vezes olhar para os lados com olhos mais críticos e perceber que está tudo errado? Você até quer gritar e dizer que está tudo errado, mas então percebe que estão todos satisfeitos, em seus faces, zapzaps, assistindo suas novelas, bebendo suas cervejas, perpetuando o oco de suas mentes.

Desses termos da moda, dessas buzzwords criadas para vender livros e palestras, enfim, dos neologismos mais recentes que já ouvi, os que me soam mais embasados são aqueles relacionados à ignorância generalizada das massas. São os termos como imbecilização, idiotização, idiocracia.

Não que o povo precise ser idiotizado, ou imbecilizado. Já nascemos nessa condição. Ou você deixa essa situação pra trás, ou permanece nela. Do ponto de vista dos poderosos, o povo não precisa ser idiotizado, basta que seja mantido nessa condição que lhe é inerente.

E sem saber de nossa condição, como saber que temos que mudar?

Há quem veja o ridículo em teorias conspiratórias. É claro que nem tudo é conspirado. As coisas dão errado por conta, naturalmente. Para que elas deem certo é que é necessário um grande esforço. Ainda assim acho que não é preciso ser muito perspicaz para notar que há sim, um movimento – ou uma inércia – quanto à qualidade da educação.

E aí vemos como a situação é deprimente. Lendo um texto até interessante, como este, relembramos que a palavra de ordem atualmente no sentido de se levar esse país pra frente é a EDUCAÇÃO. Pois bem, é verdade. Mas eu pergunto: Qual educação? Aquela que me ofereceram? Não sei se ela será tão efetiva para a solução dos problemas do país quanto se alarda. Os partidários do Lula tem dito: “Nunca antes na história desse país um presidente criou tantas universidades”. Ok, é bem verdade. Só não podemos deixar de observar que o governo tem investido bastante na quantidade, quando deveria prezar, ao menos TAMBÉM, pela qualidade.

E por qualidade não estou me referindo à escolas modernas, equipadas, limpinhas. Eu me refiro ao ensino do que realmente precisamos saber. Creio que todos deveríamos ter, durante nossa vida escolar, além das matérias já consagradas, aulas com noções de:

Relacionamentos – Como lidar com quem amamos.
Etiqueta e boas maneiras – Como se comportar em sociedade.
Conversação – Noções de polidez ao conversar; saber ouvir e saber falar; noções de fonoaudiologia.
Maternidade – Ensinar as meninas a responsabilidade  de ser mãe.
Paternidade – Ensinar aos meninos a responsabilidade de ser pai.
Psicologia – Entender a si mesmo e como funcionamos.
Filosofia – Conhecer idéias e visões de mundo.
Política – Entender como funcionam as instituições políticas sob a qual nos submetemos.
Economia e Finanças – Aprender o básico para prosperar na sociedade em que vive.
Direito e Civismo – Conhecer seus direitos e deveres civis e sua relação com a nação da qual faz parte.
Sustentabilidade – Entender sua relação com o meio ambiente.

Você sugere algo mais?

Consegue imaginar um cidadão chegando aos seus 20 e poucos anos com toda essa bagagem de noções??? Chega a empolgar só de imaginar, não? Por outro lado, entristece perceber que não é assim e não vai ser por um longo tempo ainda. Essa constatação nos faz perceber ainda que o filósofo Huberto Rohden estava certíssimo quando afirmou:

Não existe crise de educação no Brasil nem em qualquer parte do mundo. O que existe é uma deplorável ausência da verdadeira educação.

Enfim, investir em mais escolas, em mais escolas técnicas para qualificação profissional, é louvável, melhor que nada. Mas ainda assim pergunto:

Quando teremos escolas para a vida?

Quando teremos qualificação do pensamento?

Quando formaremos cidadãos completos?

Então o que vejo é ISTO, uma agressão gratuita DENTRO DE UMA UNIVERSIDADE. Pior ainda do que o caso Uniban, que já foi medieval per se.

Ou então, ainda, vem o sujeito, me diz que bolsa-família é bolsa-esmola e se acha um cidadão crítico :(

Temos MUITO ainda que aprender.