Roger Scruton

Roger Scruton

“Educação é o tema mais importante da política real para conservadores no mundo moderno.

Quando o estado tomou conta da educação no séc. XIX [na Inglaterra] foi espetacular porque fez com que ela se tornasse acessível a todos, mas ele deixou as portas abertas para a colonização do sistema educacional por gente que não acredita em educação.

Estas pessoas não acreditam que educação é compartilhar com as futuras gerações o conhecimento acumulado pelas gerações anteriores, eles acham que educação é um instrumento de engenharia social para implementação do socialismo por meio de lavagem cerebral dos jovens. Um dos instrumentos utilizados para isso é a criação de um currículo nacional e um sistema nacional de avaliação para prevenir que os conhecimento seja passado para a próxima geração.

Numa perspectiva filosófica, durante os anos 50 e 60 surgiu a idéia preconceituosa entre os educadores de que o propósito da educação é fazer caridade com as crianças, que a função do conhecimento é dar às crianças algo que elas não teriam de outra forma. Isso é o inverso da verdade: a função das crianças é ajudar o conhecimento, porque elas podem receber conhecimento e depois passar adiante.

A questão é que quando você entende que a função do sistema educacional é ter crianças aptas a receber e repassar conhecimento é natural que surjam diferenças entre os cérebros que são mais ou menos habilitados a isso. E é natural que estas diferenças fiquem mais evidentes com as provas e testes. O sistema atual foi desenhado para prevenir que isso aconteça. A intenção é fazer com que a criança seja tão “igual” a outra quanto possível em todos os estágios de desenvolvimento. Se o conhecimento surge no caminho para atrapalhar este projeto, ele será sacrificado.

Eu entendo o estado colocando orientações bem genéricas sobre o que a educação deve ou não ser e só. O sistema educacional deve ser compatível com a meta de cuidar da nossa herança cultural.”

Roger Scruton – via Alexandre Borges