A dívida é uma prisão

Esses dias eu estava observando algumas palavras buscadas no campo de busca do alto deste site, quando deparei com os termos “como sair das dívidas”. Surpreso, passei a imaginar a situação de quem procurou por esses termos. Um tanto cômica – é verdade – mas também comum. Certamente muitos se vêem perdidos em meio a contas e mais contas e não conseguem sair desse círculo vicioso. Então decidi escrever um pouco sobre isso, baseado na minha vivência, é claro. É para ler e refletir, já que não vou trazer aqui procedimentos práticos do tipo “se organize, calcule quanto deve, renegocie as maiores, etc”. Vou tentar aprofundar a questão, no sentido de que fazemos com o dinheiro o que fazemos com nós mesmos.

Você quer sair das dívidas? Simples, seja você mesmo. Nem mais, nem menos. Já parou para observar o quanto o ser humano depende de quinquilharias para viver? Você realmente precisa de TANTO para viver?

Quantos objetos deve haver numa casa comum? Certamente haverá uma infinidade. Basta uma passadinha num supermercado ou numa casa de artigos especializados qualquer (ferragens, aviamentos, embalagens, etc), e a constatação se realiza. Haja necessidades para tantos produtos. E já reparou em como as pessoas “fogem” de si mesmas vivendo para o prazer bobo e desregrado? Torram todo o seu dinheiro em prazeres vãos.

Quando você pode pagar por seus mimos e indulgências psicológicas, tudo bem. Mas a questão nisso tudo que tenho dito é justamente quando se faz tudo isso por status, como resultado da baixa auto-estima, não mais indulgência, mas por escape psicológico, a custa de dívidas, desvalorizando seu próprio dinheiro. Não gostam do dinheiro, porque se gostassem, prefeririam que ficasse em seus bolsos e não o jogariam ao vento.

Algumas necessidades existem, você sabe, e precisamos resolvê-las. Precisamos de fato de toda sorte de objetos que facilitam nossa vida. E também precisamos viver uma vida com prazer, do contrário, viver para quê? Mas existem também – e o pessoal do marketing sabe bem disso – as necessidades criadas por gente esperta, e disseminada aos quatro ventos pela publicidade nossa de cada dia. Eu entendo o valor da publicidade, afinal ela financia todo tipo de projetos os quais seriam impossíveis sem ela. Mas temos que ficar espertos e saber usá-la a nosso favor, sem cairmos em algumas armadilhas do tipo: “Ligue agora e compre o seu, não fique sem”. Pois o segredo é que o ser humano pode viver com pouco; pode viver com o necessário e viver satisfatoriamente. Basta um pouco de humildade e noção das coisas.

Invista em auto-conhecimento e em equilíbrio interior. A ansiedade custa caro. Não precisamos ser muito espertos para concluirmos que o desequilíbrio financeiro é reflexo direto do desequilíbrio na vida.

Não vou dizer aqui que para sair das dívidas, você precisará ser mais organizado(a). Isso é o básico. O que eu quero dizer é que com equilíbrio, se pode viver muito bem, apenas com o necessário tanto do ponto de vista do consumo, quanto do ponto de vista do prazer de viver. E dessa forma, as dívidas se fazem desnecessárias, afinal, uma vida equilibrada se faz com a dosagem certa de cada ingrediente. A organização e a disciplina mínima surgem espontaneamente no espírito centrado e focado em alguma meta nobre.

Veja mais: Como sair das dívidas – Parte 2