Compartilho aqui um pouco da minha vida, retratada através das poesias que escrevi entre 1998 e 2005. São totalmente desprovidas de qualquer erudição. São expressão pura e simples, sem regras, catártica. Algumas têm um tom mais contemplativo, poético, outras são melancólicas beirando a comédia. Mas são fases da vida que vêm e que (graças a Deus) passam. Qualquer aspecto decadente que possa ser encontrado abaixo, não existe mais em mim. O que me estimula a expor essas poesias, é um ponto de vista muito bem expressado por meu conterrâneo:
O lugar do poeta é onde possa inquietar.
O lugar do poema é estar em presença do consumidor de poesia.
Ou do provável consumidor.
Ninguém faz o poema por mero exercício verbal.
Lindolf Bell
O teatro das nuvens
Escrita em 23/01/2000
Há momentos de pura reflexão
Refletidos em um estado de êxtase
Êxtase; o mundo em minhas mãos
Às minhas mãos, um erro de sintaxe
Suave sabedoria; onipresente como os ventos
“Quem” às chuvas tanto procuro,
na essência das músicas, das boates aos conventos
Sensação do divino; o azul mais profundo
Ciano céu, cenas do teatro das nuvens
Constante, em instantes perdidos
Pelas brisas se vão as penugens
Preciosos momentos choram vencidos
Fecho os olhos, abro-os e a frente...
A vastidão finda-se em mil luas
Espaços e dispersões da mente
O vazio cansa e traz-me pelas ruas
Não vale a dança das areias
Ou a ofensa esverdeada das ondas
Só um rosto moreno, minha jóia azul e rara
Só a satisfação por esperas tão longas
Confio; tudo, na vida, que existe
Existe porque funciona, ou faliria
A falência, só do erro que persiste
Assim a certeza, uma melodia lírica
A lembrança é luz dourada no coração
Com crenças, valores e ideais ao bem, legais
Trajetória iluminada, desolada imensidão
Dos erros e acertos até os saudosos finais
Uma mulher e os ares da flor em suas mãos
Neste tempo etéreo sem fim, só em sensações
Há a perfeição envolvida na rosa em seus cabelos
É hipnose sob estes acordes; encantos das canções
É a etapa maior, há um destino, ninguém sabe
Eu sei e vejo coisas que os outros duvidam ver
Atos dos anjos, talismãs, sagradas paisagens
e a santidade que meus olhos duvidam crer
Poesia, pura feitiçaria é o que vou sentir
Ao seu lado, e mesmo longe e desolado
Lapidado diamante é o meu olhar
É o meu coração, naquela presença iluminado
Ronaud Pereira
