“ Claro que devemos tentar atingir a perfeição, desde que tenhamos na mente que ela é inatingível. ”
Aldo Novak

Compartilho aqui um pouco da minha vida, retratada através das poesias que escrevi entre 1998 e 2005. São totalmente desprovidas de qualquer erudição. São expressão pura e simples, sem regras, catártica. Algumas têm um tom mais contemplativo, poético, outras são melancólicas beirando a comédia. Mas são fases da vida que vêm e que (graças a Deus) passam. Qualquer aspecto decadente que possa ser encontrado abaixo, não existe mais em mim. O que me estimula a expor essas poesias, é um ponto de vista muito bem expressado por meu conterrâneo:

O lugar do poeta é onde possa inquietar.
O lugar do poema é estar em presença do consumidor de poesia.
Ou do provável consumidor.
Ninguém faz o poema por mero exercício verbal.
Lindolf Bell

Do céu ao inferno

Escrita em 12/02/2002

Os tempos me enganam
Seus sorrisos também...
Será que eles me amam?
Que os anjos digam amém!!!

A guerra se fez presente
Desde aquela insólita primavera
Meus anjos lutam com unhas e dentes
Dando-me as lições mais austeras

A guerra, a ira e a raiva
As vezes se apaziguam
Quando vens e me abraças
Vejo a minha paz exígua

Minha paz e amor são um só
Têm a cor mais cinza e morta
Que avivas e colores sem dó
És a faca que vem e me corta

Meu sangue não tem só a cor do amor
Que pelo chão tu esparramas
Desperdício que me causa horror
Meu coração pergunta: Realmente amas?

Tens me embriagado e seduzido
Mentido e até você acredita
Que nosso amor tem sentido
Que nossa emoção se justifica

Que estão certos nossos corações perdidos
Que a distinção entre arte e vida foi apagada
Fui apenas um homem que, mesmo ferido
Fez-te ser a mulher mais amada

Como jamais algum dia serás
Só foste além, viu o que não conhecias
Eu também, vi em seu olhar
Uma alma linda sentindo muita alegria

O amor é para os imperfeitos
Viverem momentos perfeitos
Mas não me queres por inteiro
Me fazes ver meus defeitos


Seu amor é muito estranho
Me levas aos céus voando
E como um traiçoeiro anjo
Do inferno vejo-te me jogando

É assim que me és flor e espinho
Neste caso preferiria o desequilíbrio
Te vejo e te amo, e longe te odeio
Pois não estás aqui quando passeio

Jamais te mataria, pois junto morreria
Parte grande do meu coração
Suicídio tabelado já faço todo dia
Ao insistir nessa história de paixão

Se tivesse me suicidado
Morreria menos
Meu ano? 365 mortes
O que vale mesmo?

O que me mantém em meu caminho
É a consciência sã e santa
De que todo grande império caiu
É... Tudo passa, tudo passa!!!

Todos nós temos, graças a Deus
Dias de pombos e de estátuas
Minha criança, está pra chegar
Tua época inútil e fátua

Uma grande guerra se iniciará
Dentro de sua alma radiante
De mim então se lembrarás
E da minha calma irritante

A saudade de teus dias de brilho
Encherá teus olhos de lágrimas
Muito andarás em teu caminho
Distante então de quem amaras

Os eternos céus terão visto
Teus dias de força, vida e alegria
Somente a calma das nuvens
Lembrarão da força do que sentias

Ronaud Pereira

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