“ A felicidade não se encontra na felicidade, mas em sua conquista. ”
- Escritor russo

Compartilho aqui um pouco da minha vida, retratada através das poesias que escrevi entre 1998 e 2005. São totalmente desprovidas de qualquer erudição. São expressão pura e simples, sem regras, catártica. Algumas têm um tom mais contemplativo, poético, outras são melancólicas beirando a comédia. Mas são fases da vida que vêm e que (graças a Deus) passam. Qualquer aspecto decadente que possa ser encontrado abaixo, não existe mais em mim. O que me estimula a expor essas poesias, é um ponto de vista muito bem expressado por meu conterrâneo:

O lugar do poeta é onde possa inquietar.
O lugar do poema é estar em presença do consumidor de poesia.
Ou do provável consumidor.
Ninguém faz o poema por mero exercício verbal.
Lindolf Bell

Divina Tentação

Escrita em 19:25  27/01

As marcas (em meu coração) de uma ousadia II

À “cristã”...

Sabes, és tentação, meu desejo proibido
Saibas, tua atração ainda é relembrada
De todas constante, sua imagem, a libido
Está presente; sob olhos ocultos vigiada
Provocação latente, fui um anjo distraído
És católica, perdida, uma louca desvairada

Sem fé, ainda por cima és reprimida
De minha parte, inveja e compaixão
Da pastora, injustiça que a faz redimida
Saúdo aquela doce tentação; que passa
Aos meus olhos, paixão transmitida
Imagem do pecado em estado de graça

Faz-te respeitável; divino êxtase compartilhado
Mentiras puras, convincentes, ilusões veementes...
Tentado a crer, sou cordeiro desvencilhado
É sua conduta aparente; promissora e decente
(estas melodias suaves convencem-me)
Bela e contagiante, traiçoeira tentação ao atalho
Minha devoção; minha ilusão de desejos ardentes

Relato, a piedade que a tua dor não merece
Pois teus olhos profanos fazem-me chorar
Ao ver com pesar dar-te a quem te esquece
Ah tempos em que eras pura e tentada a sonhar...
Uma maga menina de encantos tão hereges
Proibido amor que o medo não permitiu brotar

A “cristo”...

A feminilidade, sempre tão divina, é pecado?
A religiosidade, sempre tão sombria, é virtude?
Por que esta cruel obediência ao sagrado?
Por que não um vida livre, sem penas tão rudes?
Envolvente e fria nostalgia frente a este calvário
Sinto um caminho, de dores e sonhos que iludem...

Ronaud Pereira

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