Depois de mais de vinte anos de uma espera que mais parecia condenação à distância eterna, finalmente o universo, pelo que mais parecia um capricho casual, conspirou para que ficassem juntos.

Never

Never

Desde então, riram como nunca tinham rido antes, dançaram como nunca puderam dançar antes, foram juntos a lugares nos quais sempre sonharam estar juntos, beberam como se não houvesse amanhãs (sic), e amaram como nunca tiveram chance de amar antes.

Mas ele nunca – NUNCA – conseguiu sentir ao lado dela a alegria que acreditava que sentiria. Aquela alegria efusiva do adolescente que acredita que ficará para sempre ao lado de sua primeira paixão. A alegria inocente de quem acredita estar vivendo uma história especial; de quem se acredita escolhido, preferido, a prioridade da mulher mais fantástica que já conheceu.

Quanto dá para sempre menos vinte anos?

Para ele, vinte anos de distância não se desfazem de uma hora para outra. Esses vinte anos afastados dilaceraram-no por dentro, dia após dia, dolorosamente. A distância, no tempo e no espaço, surgida de uma decisão dela – que ela negava alegando forças maiores – lhe comunicava diariamente que foi preterido, deixado de lado, desconsiderado, uma segunda opção.

Vinte anos de uma distância assim, matam com requintes de crueldade qualquer sonho de uma felicidade plena.

Sentiu a maior parte dele morrendo lentamente ao longo desses vinte anos, a parte que floresceria ao lado dela, caso tivesse a chance de viver ao seu lado.

Mas, vida que segue, depois de vinte anos afastados, se aceita a união tardia mais por birra do que por amor; se aceita a união mais para cumprir as promessas feitas do que para mergulhar de cabeça numa experiência amorosa autêntica.

Porque já passado dos quarenta, ele já tinha aprendido que nenhum amor eterno dura mais do que dois anos.