Uma pausa para o romantismo – Surround me with your love
Uma pausa para o romantismo. Abaixo a música Surround me with your love, do grupo 3-11 Porter. A música é trilha sonora da novela Viver a Vida e também do filme Um Segredo entre Nós. Linda!
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Como lidar com o preconceito

O raio X da estupidez
A leitora Thailinne sugeriu que eu falasse sobre o preconceito. Perguntou o que eu achava e me pareceu mesmo uma boa idéia, afinal nunca falei disso. Lembrando que não sou autoridade no assunto (e quem é?) mas gosto de comentar certos temas sob meus pontos de vista metidos :-) Contudo de certa forma posso falar sobre o preconceito sim, muito embora não vá entrar em detalhes do porquê.
Acho que quem sofre de preconceito tem uma espécie de missão na vida: Compreender a ignorância alheia. Quem age com preconceito para conosco demonstra, de duas, uma: Falha de caráter ou ignorância (o que chamamos de “sem noção”), fruto de uma má educação. Seja por falta de freios da educação ou por pura falta de caráter, essa pessoa comete faltas típicas de crianças. E se por algum motivo essa pessoa que lhe atinge com seu preconceito tem algum valor pra você, está na hora de você rebaixá-la em sua escala de valores. Tenha certeza absoluta: Quem age com preconceito não vale tanto quanto podemos supor. Quem age assim ainda tem muito o que desenvolver internamente, como noções de respeito, empatia, compreensão. Essas são as maiores qualidades das pessoas REALMENTE valorosas.
Sabe quando eu digo aqui que mágoa é quando as pessoas não são (ou agem) como queremos (ou esperamos)? Ser vítima do preconceito é basicamente isso: Enfrentar uma situação em que o outro não entende sua situação, por mais que o senso comum mandasse entender. Que bom seria se todo mundo nos entendesse e respeitasse, não é? Mas esqueça. Estupidez e bossalidade são desvalores que proliferam como ratos. Há em todo canto.
Há evidentemente limites. Fortes atos preconceituosos podem tornar-se até questão judicial. E se você se sente de alguma forma muito prejudicado pela discriminação de alguém, não hesite em recorrer à justiça. Faça o indivíduo APRENDER através do bolso como se deve respeitar os outros. Afinal, quando o assunto é dinheiro, todos entendem a mensagem.
Agora há também os casos mais “leves”, porém não menos projudiciais. São aquelas circunstâncias que nos corroem por dentro, nos fazendo sentir diminuídos. Infelizmente, para essas situações, não tem jeito, mais cedo ou mais tarde, você terá que se desapegar dos valores e ilusões que o fazem sofrer.
Ou seja, a pessoa que se dirige a você com preconceito é mesmo ignorante e não sabe o que diz, o que não a exime de sua responsabilidade, porém é assim que a realidade é. O melhor é se afastar ou, se não for possível se afasar, o jeito é ignorar deixando a pessoa se sentir “boba” sozinha, com a “brincadeira” infeliz que fez, e você, concentrando-se cada vez mais em si mesmo, em sua força, fortalecendo-se (e desejando profundamente que o f.d.p. tropece na primeira pedra que encontrar, afinal, ninguém é de ferro, muito menos santo, para ser xingado e ainda ter que desejar o bem).
O ideal mesmo, mas que não é pra todo mundo, é exercitar o seu senso de humor e rir de si mesmo. Isso vale pra todo mundo. Sabe por quê? Porque nós também temos os nossos preconceitos. É da natureza humana julgar as coisas antes de conhecê-las. E também porque costumamos nos levar a sério demais e isso nos motiva a nos magoarmos demais com as pessoas, com a vida. Já quem se leva pouco a sério, vive a vida na boa, sem rancor gratuíto. Contudo, essa fronteira entre não se levar muito a sério e preservar seu amor próprio é super sutil. É preciso estar sempre atento ao momento em que “invadem” seu espaço vital, e nessa hora, não hesite, seja generoso e distribua patadas para todos os lados. Afinal, antes pisar do que ser pisado! Se você discorda, então continue de capacho dos outros. A opção é sempre sua. Ah propósito, INFELIZMENTE não sou assim tão insolente, contudo, concordo inteiramente com esse pesamento de Malcolm Little (Malcolm X) - Líder negro americano:
Seja pacífico, seja cortês, obedeça às leis, respeite a todos; mas se alguém colocar as mãos em você, mande-o para o cemitério.
E por fim, seja lá qual for o problema que você tem e que provoca esse preconceito, você terá, cedo ou tarde, de aprender a conviver com ele. Se ele tiver solução, ótimo, ao menos você poderá trabalhar por essa solução, mas se não tiver, é meu amigo, minha amiga… essa é a vida e você aprendeu como ninguém que pimenta nos olhos dos outros é refresco.
Ronaud Pereira
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É problema de todos nós
O texto abaixo é um pouco longo, mas se você é brasileiro e torce por esse país, deve ler:
Imagine-se um hipotético indivíduo que doravante chamaremos de Sr. Oliveira.
O Sr. Oliveira é um homem comum. É um pai de família. Habita uma região metropolitana que poderia ser São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte ou Recife ou alguma outra grande cidade. Tem um emprego em uma instituição financeira, ou em uma revendedora de peças por exemplo. Pertence àquela classe média ligeira, que além de trabalhar 4 meses por ano de graça para o governo esforça-se para pagar as contas de aluguel, escola, natação e inglês dos filhos, plano de saúde, o guarda da rua e outros pormenores no fim do mês.
O Sr. Oliveira levanta-se de manhã e veste-se com roupas de algodão, algodão esse crescido nos campos de Chapadão do Sul, MS e processado em Blumenau, SC. Talvez esteja um pouco frio, e ele use um pulôver de lã de carneiros criados em Pelotas, RS e fabricado em Americana, SP. Calça seus sapatos de couro vindo de bois do Mato Grosso, e fabricados em Novo Hamburgo, RS.
Ele toma café da manhã, com ovos vindos de Bastos, SP, leite de uma cooperativa do Rio de Janeiro, broa de milho colhido em Londrina, PR, um mamão vindo do Espírito Santo, suco de laranja de Araraquara, SP e um cafezinho vindo direto de São Lourenço, MG.
Ele lê um jornal, impresso em papel feito de eucalipto crescido em Três Lagoas, MS.
O Sr. Oliveira entra em seu carro, abastecido com álcool de cana de açúcar produzida em Piracicaba, SP, com pneus de borracha saída dos seringais de São José do Rio Preto, SP.
Enquanto ele vai ao trabalho, a Sra. Oliveira vai às compras nos supermercados do bairro, sempre pesquisando os melhores preços das frutas, das verduras e da carne para não apertar o orçamento familiar.
No almoço, o Sr. Oliveira come um filé de frango criado no Paraná, alimentado com soja de Goiás e milho do Mato Grosso, com molho de tomate de Goiás. Tem arroz do Rio Grande do Sul, feijão dos pivôs do oeste baiano. Tem salada das hortas de Mogi das Cruzes, SP. Suco de uvas do Vale do São Francisco e de sobremesa goiabada feita com goiabas de Valinhos, SP e açúcar de Ribeirão Preto, SP, e queijo de Uberlândia, MG. Outro cafezinho dessa vez da Bahia.
Hoje a noite é de comemoração. Sua empresa fez um corte de pessoal mas felizmente o Sr. Oliveira manteve o emprego. Ele leva a esposa jantar fora. Vinho do Vale dos Vinhedos gaúcho. Presuntos e frios de porco criado em Santa Catarina, alimentado com soja paranaense, filet mignon de bois criados no Sul do Pará. Chocolate produzido com cacau do sul da Bahia. E outro café de Minas, adoçado com açúcar pernambucano.
O Sr. Oliveira é um homem razoavelmente informado e inteligente. No dia seguinte ele lerá os jornais novamente. Pelos jornais ele ficará sabendo que há conflitos em terras indígenas recentemente demarcadas e fazendeiros cujas famílias foram incentivadas a ocupar aquelas terras há décadas atrás. Pelos jornais ele ficará sabendo que a pecuária é a maior poluidora do país (embora ele mesmo tenha o sonho de um dia abandonar a cidade poluída e viver no campo por uma qualidade de vida melhor). Pelos jornais ele tem notícias de invasões de terras, de conflitos agrários, de saques e estradas bloqueadas (o Sr. Oliveira é a favor da reforma agrária, embora repudie a violência). Pelos jornais ele toma conhecimento de ações do Ministério Público contra empresas do agronegócio (ele não entende que mal há em empresas que ganham dinheiro). Pelos jornais ele acha que a Amazônia está sendo desmatada por plantadores de soja e criadores de boi.
Mas o Sr. Oliveira pensa que isso não tem nada a ver com ele.
Pois eu gostaria de agarrá-lo pela orelha, e gritar bem alto, de megafone talvez, não um, nem dez, mas mil megafones que TUDO ISSO É PROBLEMA DELE SIM!
Gostaria de lhe dizer que a agropecuária está presente em todos os dias da vida dele.
Gostaria de lhe dizer que o agronegócio gera um terço do PIB e dos empregos do país. Gostaria de lhe dizer que quem diz que a pecuária polui mente descaradamente.
Gostaria de lhe dizer que o maior desmatador da Amazônia é o INCRA, que com o dinheiro dos impostos dele sustenta assentamentos que não produzem absolutamente nada, condenando uma multidão de miseráveis manipulados por canalhas balizados por uma ideologia assassina à eterna assistência do Estado.
Gostaria de lhe dizer que estes mesmos canalhas estão tentando, sob a palatável desculpa dos direitos humanos, acabar com o direito de propriedade, arruinando qualquer futuro para o agronegócio brasileiro.
Gostaria de lhe dizer, que os mesmos canalhas querem fechar índios que há 5 séculos estão em contato com brancos em gigantescos zoológicos onde eles estarão condenados à miséria e ao suicídio.
Gostaria de lhe dizer que índios são 0,5% da população brasileira e não obstante são donos de 13% do país.
Gostaria de lhe dizer que querem transformar 2/3 do país em reservas e parque que estão sendo demarcados sobre importantes reservas minerais e aqüíferos subterrâneos essenciais para o futuro do país.
Gostaria de lhe dizer que a agricultura ocupa apenas 7,5% da superfície do país, e que mesmo assim somos os maiores exportadores do mundo de carne, soja, café, açúcar, suco de laranja e inúmeros outros produtos.
Gostaria de lhe dizer que podemos dobrar ou triplicar a produção pecuária do país sem derrubar uma árvore sequer.
Gostaria de lhe dizer que produtores rurais não são a espécie arrogante e retrógrada que os canalhas dizem que são. São gente que está vivendo em lugares onde você não se animaria a viver, transitando por estradas intransitáveis e mortais, acordando nas madrugadas para ver nascer um animal, rezando para chover na hora de plantar e para parar de chover na hora de colher, com um contato e um conhecimento da natureza muito maior do que o seu. São gente cujos antepassados foram enviados às fronteiras desse país para garantir que esse território fosse nosso, foi gente incentivada a abrir a mata, abrir estradas, plantar e colher, às vezes por causa do governo, às vezes apesar dele.
Gostaria enfim de gritar a plenos pulmões, que qualquer problema que afete um produtor rural, uma empresa rural, uma agroindústria É UM PROBLEMA DELE, DO PAÍS E DO MUNDO.
Sim, porque no mesmo jornal que o Sr. Oliveira leu, há uma nota de rodapé que diz que há 1 bilhão de pessoas no mundo passando fome.
E grito finalmente para o Sr. Oliveira e tantos outros iguais a ele: ABRA OS OLHOS e desconfie daqueles que querem transformar o agronegócio em uma atividade criminosa.
Autor desconhecido
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A guerra nossa de todos os dias – Desejo x Liberdade
Uma questão indissolúvel em nossa natureza mais humana é o paradoxo desejo x liberdade.
Todos almejamos viceralmente a mais ilimitada liberdade. Para podermos desejar o que quisermos. Mal sabendo que é justamente o desejo nosso maior aprisionador.
Já reparou que você é escravo de seus desejos? E que consequentemente quanto menos você desejar, mais livre será? Quero dizer que quanto menos você desejar, seja o que for, dinheiro, viagens, objetos de toda ordem, mais livre será porque se sentirá menos compelido(a) a mobilizar seus recursos e tempo para a obtenção do seu objeto de desejo.
Esse é o único argumento consistente que encontro contra qualquer conversa apoiando a corrida atrás do dinheiro.
Dizem que o dinheiro é divino, que o dinheiro é abençoado, que ele permite um nível de vida prazeroso que não é possível de outra forma. Sim, eu concordo e quem acompanha meus textos sabe que falo bastante sobre o dinheiro aqui, e positivamente. E discorro sobre o dinheiro sob o viés de que você é o único responsável por sua obtenção.
Sim, pois bem… Desde que – citando um texto meu mesmo – seja natural para você correr atrás do tal dinheiro exercendo uma atividade de seu gosto. Por outro lado, se não for, você estará sendo meramente um escravo de seu desejo… pelo dinheiro. Ou pelas coisas que ele puder te trazer.
Sim é um assunto complicado cuja resolução, como dito no início, me parece quase impossível. Porque sempre queremos os dois: A liberdade de desejar e o objeto de desejo. Se há alguma solução para esse nosso dilema diário é o equilíbrio aliado ao auto-conhecimento. Vale a pena refletir e ver se seus objetivos de vida não contemplam metas que estão além de suas possibilidades – e mais – além de sua natureza íntima.
Se sua ocupação (e as responsabilidades que fazem parte dela) for natural para você, se condizer com sua vocação, e com isso você conseguir rendimentos razoáveis, então você não se sentirá oprimido. Caso contrário, se tiver que “aguentar” circunstâncias que no fundo te desagradam em nome de status, prestígio, posses, poder aquisitivo, etc, talvez esteja no caminho errado. Reflexão e auto-conhecimento a respeito do que é riqueza, para você, de verdade, são sempre convenientes. Riqueza é ser você mesmo, mas é um tesouro que não é tão fácil assim encontrar. Requer experiênca e auto-conhecimento, e a gente só adquire experiência e se conhece vivendo, tentando, aprendendo…
Este tema sempre me obriga a linkar esse texto do Alex, no qual ele resume com maestria a questão desejo (consumismo) x liberdade. Leia, vale a pena! Se quiser ler todos os textos do Alex sobre a “prisão dinheiro“, clique aqui, onde linkei todos os seus artigos, já que nem ele mesmo linkou
Ronaud Pereira
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Design – A realidade prática 3 – outras considerações
Esta é a terceira parte de uma série de textos sobre design. Leia: a primeira - a segunda
Dias atrás, escrevi sobre minhas percepções nada otimistas a respeito do que vejo (e ouço) como realidade prática do design hoje em dia. Relendo-os agora senti que poderia esclarecer alguns pontos.
Nas faculdades, evidentemente, pouco se fala sobre os problemas da atuação profissional, e quando se fala, meio que “não queremos saber”. Lá você ouve que “design deve fazer isso, o design deve resolver aquilo” e acaba com a noção de que o design é a salvação do mundo. Bom se fosse, mas na realidade, não é bem assim. Primeiro que o público consumidor, ou seja, o empresário médio, mal sabe “o que é design”, por mais que os designer gritem aos quatro ventos que design não é só algo “bonitinho”. O design gráfico encontra sim alguns problemas que não são encontrados em outras áreas semelhantes.
Na publicidade por exemplo. A profissão também tem os seus problemas, e passa por uma crise aguda no momento, com o advento da internet e seus novos paradigmas de comunicação, contudo, muito ao contrário da síntese dos meus dois textos anteriores, em que reclamo do fato de o designer quase sempre lidar com clientes que mal compreendem o que estão contratando, na publicidade, todo cliente sabe a importância da publicidade e propaganda para o seu negócio e sabe que boa publicidade é CARO. Ponto!
Outro ponto que vale ressaltar em relação aos meus textos é que discorro preponderantemente sobre o design gráfico. As realidades dos designers de produto, em seus inúmeros segmentos, bem como a realidade dos designers de interiores, devem ser bem outras. Não posso falar porque desconheço tais cotidianos, contudo, são áreas que exigem maior especialização prática. Não se compete com “sobrinhos”, ou essa tendência é seguramente menor. No caso do design gráfico, o que estraga a profissão é a extrema facilidade com que as pessoas não qualificadas conseguem mexer num programa gráfico, e enfim, essa história você já conhece.
O webdesign em si, área na qual tenho maior conhecimento e experiência, apesar de apresentar sim alguns problemas também próprios do design, enfim, é um segmento que tende a ocorrer menos competição desleal porque é uma área que exige um conhecimento cada vez mais aprofundado, como linguagens de programação, usabilidade, SEO. A diferença entre um trabalho profissional e um amador hoje é muito nítida. Coisa que não era em 2002, quando comecei. Hoje é fácil mostrar para um cliente o que é um trabalho eficiente. E os clientes de forma geral já deixaram de encomendar sites porque “todo mundo tem” mas sim porque sabem de que forma um site lhes ajuda a incrementar seus negócios.
Lembrando que mesmo dentro do design gráfico há segmentos diferentes. Tudo a que me referi diz respeito ao segmento mais “popularzinho” de logos, identidades visuais, folders, etc. Mas há outros segmentos nos quais a realidade possa ser melhor, como diagramação, vídeo, 3D, e pode-se também trabalhar nos departamentos de comunicação, publicidade, propaganda e marketing de empresas industriais, de serviços, do setor público e em ongs.
Finalizo com uma última observação com a qual respondi a um comentário no segundo texto. Tudo que escrevi nos textos anteriores são percepções MINHAS, muito embora hajam três links ao final do segundo texto que corroboram minha visão. Mas espero mesmo que outras pessoas discordem de mim e consigam ganhar rios de dinheiro fazendo design gráfico
Ronaud Pereira
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