“ Não sou pessimista. O mundo é que é péssimo. ”
- Escritor português

Anos 90

Publicado por Ronaud Pereira em 18 de maio de 2010

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A gente, assim, meio por volta dos 30, de repente olha para os lados e percebe que as boas músicas ficaram lá nos anos 90. Esse post foi mais um motivo pra eu lembrar com saudade daquela época.

Olhando hoje, tenho a impressão nítida que os anos 90 marcaram o fim da revolução musical iniciada nos anos dourados de 50/60/70 em que todo um movimento cultural simplificou os modos e costumes. O grunge de repente pode ser visto e encarado como um retorno, após o bizarro fashion-rock da década de 80,  ao estilo simples e natural dos hippies surgido nos anos 60.

Eu tinha meros 13 anos quando o grunge surgiu em Seattle para mudar o mundo da música. Nem sabia o que estava acontecendo. Só percebi que de repente todos os roqueiros medonhos advindos do glam-rock oitentista passaram a adotar um visual mais… normal. De uma hora pra outra virou moda os roqueiros adotarem um visual mais simples, cabelo curto, posturas mais despojadas, enfim.

Tudo isso porque alguém lá em Seattle resolveu iniciar isso tudo dizendo para “sermos como somos”.

Hoje

Parece que as músicas de hoje são perecíveis e vem com uma infalível tendência a sumirem, a se desfazerem no ar dentro de algumas semanas. Não sei se é porque já ouvimos de tudo, já conhecemos de tudo, e não há mais novidade…

A música se tornou mais uma commodity, vendida como um produto em si, e não mais como uma mensagem, ou uma obra resultante de um momento de profunda concentração artistica do criador. Quem são os grandes talentos musicais de hoje? São tantos e tão variados que nem conseguimos distinguir alguém que se destaque pra valer. E mesmo os nomes consagrados tem uma produtividade tamanha atualmente, que sua discografia extensa ofusca o brilho de suas músicas realmente marcantes. Casos como Guns N Roses com sua vida curta (o Guns atual não conta) e como o do Nirvana, com seu fim prematuro, demonstram que a qualidade de seus trabalhos ultrapassou em muito, muito longe a quantidade que deixou de existir devido a curta vida das respectivas bandas. E hoje, a discografia dessas mesmas bandas são como ícones eternos de um rock que vai conquistar fãs indefinidamente.

Talvez seja isso que falte às bandas atuais. Menos quantidade, e mais qualidade.

Ronaud Pereira

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