Quem não estiver confuso, não está bem informado – Carlito Azevedo

A desinformação sob a qual a opinião geral das pessoas está fundamentada faz com que elas publiquem nas redes sociais algumas manifestações que trazem um ar de ingenuidade: Acorda Brasil, O Gigante Acordou, Estamos mudando o país, etc.

Vejo uma certa empolgação infantil no ar, da qual participo, firmemente crente da importância disso tudo. Empolgação pela qual sigo com aquela velha esperança de que esse país tome jeito, ou que comece a mudar.

Mas ninguém pode dizer, ainda, ao certo, o que se dará após essas manifestações todas.

A situação tá feia

A situação tá feia

O que vai mudar?

Aquelas manifestações mais específicas, como a dos 20 centavos reivindicando a anulação do aumento recente das passagens de ônibus em São Paulo, por exemplo, certamente surtirão seus efeitos. Nenhum político é tolo de enfrentar aquelas multidões, sob o risco de perder popularidade.

Mas aquelas manifestações mais abrangentes, contra a corrupção, contra o superfaturamento da Copa, talvez não surtam efeito algum. Infelizmente.

Mesmo assim, meu lado otimista ( e infantil :) ) me dá alguma certeza de que as coisas não vão continuar como estavam. Quero crer que algo vai mudar. Os políticos estão certamente assustados e serão mais prudentes daqui pra frente. Tenho insistido que é melhor ir para as ruas protestar contra tudo, do que ficar em casa e não fazer nada. E também de que é melhor compartilhar tudo que você achar interessante sobre os protestos pela internet, do que ficar cético e em silêncio.

Na pior das hipóteses, numa visão mais pessimista, tudo não passa de uma enorme catarse coletiva. Um desabafo coletivo do povo, unido e reunido para chorar suas mágoas, demonstrando seu descontentamento e se solidarizando um com o outro. Mesmo se o resultado dos protestos se resumir a isso, tudo bem, valeu.

Porque ao menos o direito de chorar ainda não nos foi cerceado.

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Um ótimo comentário do Idelber Avelar sobre o tema

E outro, do Inagaki