Os Bórgias

Os Bórgias

Resenha divulgada

Os Bórgias é um romance histórico. Relata as origens do crime organizado na Itália e merece figurar entre os melhores livros da carreira de Mario Puzo, conhecido pelas suas obras que retratam a máfia.

Mario Puzo consagrou-se entre seus leitores e críticos de todo o mundo com seus romances sobre a Máfia. Apaixonado pelo tema, pesquisou as origens dessa organização criminosa e, nessa busca, viajou até a Itália do século XV. Lá descobriu a família Bórgia, liderada pelo cardeal Rodrigo Bórgia, um homem ambicioso e inescrupuloso, que usou todos os meios para alcançar seus objetivos. Ao ser eleito papa, com o nome de Alexandre VI, Rodrigo consolida seu poder em uma grande rede de alianças criminosas, que deu origem à grande família mafiosa imortalizada, séculos depois, pelo próprio Puzo.

Opinião sobre o livro Os Bórgias

Sempre considerei a realidade bem mais atraente do que a fantasia. Portanto, nunca fui muito fã de romances. Ficção para quê, se a realidade já oferece material abundante para conhecer e estudar?

Isso ocorre certamente porque poucos temas me atraem. E o poder é desses poucos temas. Em Os Bórgias vemos que toda a história da família se conduz pela busca e manutenção do poder. O livro foi publicado originalmente em 2001 com o título original de The Family (“A família”, na verdade, uma referência ao termo italiano famiglia cujo significado regional invoca o sentido de gangue).

Giulia Farnese, amante do Papa Alexandre VI

Giulia Farnese, amante do Papa Alexandre VI

Os Bórgias trata da história do Papa Alexandre VI e sua família. Mario Puzo trabalhou durante 20 anos neste livro, enquanto escrevia outros, e com a morte do autor em 1999, o romance foi acabado por sua namorada, Carol Gino. O livro tem muitos dados verídicos entremeados com histórias fictícias sobre o papa e sua família. Mas…

Fictícias?

Eis uma questão interessante. Numa época em que guerras, assassinatos, envenenamentos, permissividade sexual, estupros e traições eram acontecimentos corriqueiros, o que pode ser considerado ficção? A ficção, neste caso, se reduz a QUEM fazia, porque não há nada de ficção em afirmar que naquelas épocas obscuras, tais atos eram praticados o tempo todo, e por todos.

Por mais que a passagem de Rodrigo Bórgia pelo papado tenha sido marcada pela completa corrupção, hoje perfaz uma história bastante atrativa, rica em detalhes e em humanidade, ora virtuosa, ora viciosa em toda baixeza moral possível.

E de fato, assusta se deparar com tantos crimes perpetrados de dentro de uma instituição que, já havia quatorze séculos, se proclamava a guardiã da herança moral de Cristo. Também horroriza o relato dos costumes brutais da época, os quais envolviam reivindicações vaidosas e ambiciosas de terras e reinos que, se negados eram invadidos e pilhados,  assassinatos gratuitos (e outros nem tanto) marcados pela crueldade extrema, além, é claro, de estupros frequentes.

Sobretudo, chama a atenção a grande opulência com que viviam os nobres, em especial, os integrantes da famiglia Bórgia. A abundância era farta e a libertinagem era prática habitual. O papa mantinha suas amantes, seus filhos tinham à disposição as cortesãs que quisessem e tal fartura e promiscuidade era facilmente oferecida aos nobres de quem se precisasse de algum favor.

A história é salpicada com vários questionamentos, na voz dos próprios personagens, em relação a se o que fazem é pecado. E tudo acaba sendo justificado de uma maneira ou de outra, pelo bem da Santa Madre Igreja e pelo tanto de almas que serão salvas com a expansão da igreja católica pelo mundo. E por fim, quando não havia justificativas, o conforto recaía sobre a misericórdia de Deus.

Era o modo com o qual viam o mundo à época. E, cá comigo, cogito que, devido ao êxtase que o poder e seus privilégios conferem a seus donos, se os integrantes da famiglia Bórgia pudessem, repetiriam e reviveriam tudo, exatamente da mesma forma.

Outros comentários sobre esta intrigante família

Alexandre VI – O Papa da Promiscuidade

Os Pecados do Papa

Veja também

Este livro me despertou amplo interesse sobre a máfia. Veja também um texto recente sobre esta incrível organização ora admirada, ora repugnada.

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