“ Não olhe para mim se não quer que eu a ame. ”
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Comentário e Resumo do Livro 1808

22 de maio de 2009

Livro: 1808 - Clique e compreSuper atrasado, como sempre, consegui enfim ler o livro 1808, de Laurentino Gomes. Antes tarde que nunca.

Lembro das aulas de história no ginásio e depois durante o 2º grau. Sempre me passaram que a história do Brasil era esquisita e incomum. Mas o que este livro me trouxe extrapolou a idéia que eu tinha de que o Brasil é o país que é, com suas misérias e mazelas, devido à colonização portuguesa e católica. Não gosto dessa história de se colocar a culpa nos outros, ou em fatos. Mas convenhamos que todo efeito certamente deriva de uma causa, muito embora esta quase sempre seja impossível de ser distinguida.

O mais interessante é que o livro conclui que caso a família Real Portuguesa não tivesse vindo ao Brasil em 1808 fugindo das tropas de Napoleão Bonaparte, as coisas poderiam ser piores por aqui e hoje, ao invés de um país continental e integrado, teríamos países fragmentados, como se cada Estado da República atual tivesse ficado mais ou menos independente.

Recomendo fortemente esta leitura. É ótimo como brasileiro entender a origem de nosso país. E identificando os vícios do passado certamente estaremos mais cientes da responsabilidade que temos à frente com o futuro desta nação.

Mas para resumir o livro, não é preciso ir muito longe nem se estender muito. Basta para isso atentar para a página 263, que relata as palavras de uma viajante, Rose Marie de Freycinet, mulher do naturalista e oficial da Marinha Francesa Louis Claude de Soulces de Freycinet. Ela viajava junto ao marido, numa expedição científica que explorava a América do Sul, as ilhas do Pacífico Sul, a Índia e a costa da África.

Ao chegar ao Rio de Janeiro, isto em dezembro de 1817, achou tudo muito bonito, o clima agradável, apesar do calor, mas registrou no seu diário comentários “devastadores para os portugueses e os brasileiros” da época. Este foi seu comentário:

Pena que um país tão lindo não seja colonizado por uma nação ativa e inteligente“, escreveu Rose Marie, referindo-se a Portugal.

Acho que não é preciso dizer mais nada.

Atualização em 29/5/2009 – Esqueci de comentar algo que considerei excelente neste livro. Várias páginas com imagens em cores de pinturas da época. São várias pinturas de alguns membros da família real portuguesa bem como do cotidiano do povo e impressões das cidades vistas do mar. Dá pra viajar nelas, imaginando o inimáginável, como por exemplo o Rio de Janeiro como uma pequena cidade de 60000 habitantes. Somente a história para resgatar e nos trazer situações perdidas num passado distante.

Atualização em 18/4/2010 – Aos LEITORES PORTUGUESES, quero que saibam não tenho absolutamente nada contra Portugal e muito menos quanto aos portugueses. Muito pelo contrário. Estou relatando apenas um trecho do livro que me chamou a atenção e convenhamos, pode fazer algum sentido. Convido todos, na verdade, à auto-crítica. Assim como os portugueses de outrora podem não ter sido os governantes mais competentes, TENHO CERTEZA ABSOLUTA que NÃO SÃO MELHORES do que aqueles, muitos dos atuais governantes BRASILEIROS!

Ronaud Pereira

COMPRAR O LIVRO – 1808 DE LAURENTINO GOMES

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Há 9 comentários para este post:
miss demoiselle

29 de maio de 2009 as 12:07

Ronaud,

quanto tempo…

eu sempre vi esse livro a venda e, sempre hesitei em comprá-lo. creio que o incluirei na minha próxima lista, depois da exposição que fez.

à propósito, excelente comentário de Rose Marie.. talvez a cultura disseminada e semeada em nossa terra seja uma das explicações das atuais atrocidades do comportamento legislativo e parlamentar.

saudosa por suas visitas.

abraço,
miss

ronaud

29 de maio de 2009 as 19:43

Oi Miss… Bom “te ver por aqui”

Gostei bastante do livro sim. Para quem não é estudioso do assunto mas se interessa por história, e também, porque não, por seu próprio país, o livro 1808 vai bem como uma ótima “síntese” daquele momento único da história.

Minha opinião é mais contundente quanto ao comportamento do nosso poder público atualmente. A história explica a origem. Mas naquela época a consciência ética era mínima ou inexistente naquele povo. Hoje não. Todo político sabe muito bem o que está fazendo e continuar com o comportamento promíscuo, mesmo que originado séculos atrás, nada é mais do que o que o povão chama de falta de vergonha na cara rs.

JDAzevedo

22 de outubro de 2009 as 12:53

Referindo Ronaud Pereira, a frase publicada,
“Pena que um país tão lindo não seja colonizado por uma nação ativa e inteligente”, resulta de um verdadeiro idiota. O n/Brasil para o bem e para o mal é fruto de Portugueses destemidos como referiu Neil Amestrong recentemente, ao atribuir uma dose bem maior de determinação e coragem do que a sua ida à Lua numa epoca em que a tecnologia movel nem estava na mente de ninguem. Para o bem e para o mal, Portugal esteve na origem de um pais que todos desejam revele urgentemente todo o seu potencial, orgulhando-se dos seus antepassados que o sangue que lhes corre nas veias.
Os excessos actuais exigem mais a vossa indignação e esses dependente das atitudes, de hoje. A nossa historia é simplesmente a nossa historia.

JDAzevedo

ronaud

22 de outubro de 2009 as 13:07

Olá JDAzevedo
Não fui eu quem proferiu tal frase. De qualquer forma concordo com ela. Já o seu julgamento resulta de sua incompreensão do texto.

Sugiro a leitura do livro em questão para melhor compreender essas questões!

Afonso de Albuquerque

19 de janeiro de 2010 as 8:31

Este livro e essa afirmação são miseráveis. Aliás, o livro está cheio de considerações desse género, oriundos de pessoas da alta nobreza ou militarees, ingleses ou franceses – toda a gente sabe como falavam os nobres que QUALQUER povão.

É uma pena que tenham dado a este livro a importância que deram no Brasil. Por aí não conseguem perceber que a culpa do atraso é vossa.

Não há país nenhum do mundo, que com um território imenso, recursos naturais, e uma população de cerca de 200 milhões se pessoas se veja a si próprio como um coitadinho, vítima das circunstâncias. Com a única excepção do Brasil.

ronaud

19 de janeiro de 2010 as 11:39

Afonso
Acredite, antes desse livro, a visão que se tinha de Dom João VI era ainda pior.

Por mais que seja uma afirmação miserável, ainda assim, era real, fazer o que? Precisamos aceitar a realidade das coisas e nosso pontos negativos, ao invés de negá-los e permanecermos como sempre.

Culpa é uma palavra carregada. Vamos falar em RESPONSABILIDADE? Sim, a responsabilidade pelo atraso do Brasil é inteiramente nossa por sermos incapazes de identificar a origem de nossas faltas, por mais que essa origem tenha vindo de fora. E uma das maiores broncas que temos aqui contra o povo em geral é justamente essa mania que o brasileiro tem de se fazer de coitado. E pelo visto tão cedo isso não vai mudar.

Connie Sperring

08 de fevereiro de 2010 as 14:05

Adorei o livro. Muito bem escrito e da para se entender que o Brasil e o que hoje gracas a Portugal. Sem duvida a pior desgraca nossa foi o pais ter sido descoberta e colonizado pelos portugues

Daniel Mafra

15 de abril de 2010 as 11:01

Seu comentário é bem sucinto e na verdade não demonstra se você leu o livro ou não. Mas esse final é esculacho! Só quem tem alma de colonizado pode querer escolher o colonizador. Só faltava essa.

Francy Laidy

05 de julho de 2010 as 11:46

Estou lendo o livro e pelo que já li, confesso que muita coisa que me parecia obscura, está ficando bem mais claro. No entanto, gostaria de sugerir que não adotemos a conduta daquele povo que gosta de escrachar nosso país, nosso povo, sem uma causa consistente. Podemos mostrar que temos respeito até por pessoas que não fazem jus.

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