Redes sociais enganam a gente. Elas fazem parecer que todo mundo está bem e feliz. Mas nem sempre está. Quase nunca está. A vida daqueles amigos virtuais é tão normalzinha quanto a nossa. Se tivessem bem, estariam na rua vivendo a vida, não em casa curtindo atualizaçõezinhas dos outros e postando fotos daquela festa que mal lembram a data e que nem estava tão boa quanto demonstra a foto (cerveja quente, música estranha, gente esquisita, sempre tem). Eu vejo ali um esforço pra parecer bem, cool e feliz. Mas perceba que poucos são os que postam fotos de seus momentos chatos ou depressivos :)

Algumas pessoas muito sociáveis e ativas que conheço nunca tiveram perfil no Orkut, e Facebook pra elas é um mistério, ou criaram por curiosidade e não têm a menor paciência pra ficar ali cuidando daquilo. Muitas nem o MSN conhecem ainda. Elas não tem paciência praquilo, nem tempo. A última vez que um desses amigos atualizou algo no perfil dele no Orkut foi em 2005, ano da explosão desta rede social no Brasil. E vamos falar bem a verdade, essa gente offline não está perdendo NADA, muito pelo contrário. Quando precisam falar com alguém, ligam e pronto. Ou vão até lá e veem os amigos pessoalmente.

A impressão que tenho, posso estar errado, é que a tendência é que as pessoas que tem medo de gente se deem melhor online. Quem não tem medo das pessoas, vai se encontrar com elas. É claro que estou no primeiro grupo, tenho medo de gente :) mas nunca fui muito fã dessas redes sociais não. Pois apesar de encruado para o lado social da vida, também nunca achei vantajosa a ideia de ficar se enganando.

Tive o imenso prazer de tomar coragem (deu um pouco de dó) e cometer um orkuticídio na semana passada. Só lembrei que tinha Orkut agora, ao redigir este texto, tamanha foi a falta que ele NÃO me fez. E se eu não dependesse da internet pra viver e o Facebook não fosse tão popular, adoraria fazer o mesmo com ele. Aquelas atualizaçõezinhas de uma maioria desconhecida são bestas, patéticas. Algumas ultrapassam o limite do mau gosto, com temas bizarros, medonhos, e nojentos. Outro dia postaram um miserável defecando. Eu lá quero ver um negócio desses :( Algumas outras são inteligentes até, outras engraçadinhas, mas viveríamos bem sem elas. As atualizações das pessoas que conheço ou com quem tive contato, mesmo online, me são as mais significativas, porque muito ou pouco, eu faço parte do contexto da vida delas e vice-versa. Só que elas são uma porcentagem mínima dos meus faceamigos :)

Sei lá, acordei meio House hoje…

É claro que tem aqueles que sabem conciliar a vida digital com a vida real, e esse são os ligeiros, os espertos :)

Não se pode esquecer que 80% da população mundial ainda está off-line – no Brasil esse número chega a 60% da população. A internet é legal, uma baita ferramenta. Mas redes sociais ainda não passam de entretenimento pra poucos. Coisa pra quem tem tempo, pra quem está entediado. São pra nos distrairmos da vida. Quem tem o que fazer, vai pra rua fazer. A vida acontece lá fora. Se sua vida tá legal e não sente falta de adentrar nesses meandros digitais, mas mesmo assim você se sente meio que ficando pra trás enquanto todo mundo tá online e você não, desencane, você que tá legal, eles que estão se escondendo atrás de uma tela ou no mínimo, enganando a si mesmos.

O que parece x O que é

O que parece x O que é

Atualização: Em setembro de 2011 o Facebook alcançou 30 milhões de usuários no Brasil – apesar de que uma parcela desse número constitui usuários inativos, aqueles que criam um perfil e depois nunca mais acessam a rede social ou a acessam de forma esporádica. O Brasil está chegando aos 200 milhões de habitantes. Daí já podemos concluir que apenas 15% da população brasileira está ativa na rede social.

Fontes: UOL e PublicData

Atualização 2: Daí eu achei isso aqui (em inglês):

Aqui tem uma explicação em português do vídeo acima.

Texto de 21 de novembro de 2011.