Todo santo dia a internet surge com um tema polêmico sobre o qual todo mundo se sente compelido a dar opinião e a, no mínimo, compartilhar.

Já acompanhei e participei muito disso. Às vezes é interessante, aquele assunto acaba nos ensinando algo ou ajudando-nos a formalizar algumas opiniões.

Hoje, o assunto da vez é um CEO de uma fábrica de massas que deu uma entrevista onde se saiu com posições ~ homofóbicas ~. Foi mais ou menos o que entendi, porque não tive paciência de procurar saber mais.

Durante o pouco que vi, encontrei nos comentários de uma publicação do Facebook que trata deste tema uma advogada, a qual já vejo pelos assuntos do momento da internet há alguns anos. Dizia ela num comentário, categoricamente, que o tal macarrão não entra mais na sua casa.

Sério, mesmo?

Sério, mesmo?

Então me ocorreu novamente uma impressão que venho tido de algum tempo pra cá.

Esse mundo online, de facebook, twitter e polêmicas não é sério.

Não dá pra levar a sério. É uma brincadeira de gente grande, um chiclete intelectual. Como dito acima, já participei muito disso, mas está cada vez mais difícil para mim me posicionar numa publicação qualquer de facebook sem que não me sinta ridículo.

Tenho evitado cada vez mais postar coisas por lá. Cada vez mais tenho excluído o que tenho postado instantes depois.

As pessoas estão neuróticas, histéricas, e se levam muito a sério e me tem sido desconfortável participar dessa loucura.

Lendo em boa hora o livro Seus Pontos Fracos, do Dr. Wayne Dyer, ele comenta acertadamente que metade do que dissermos publicamente vai contrariar metade das pessoas que nos ouvem, muito embora estas não se manifestem. Ele diz isso no sentido de nos despreocuparmos com o que os outros vão pensar, mas em mim isso surtiu um efeito contrário: Vou ficar eu lá, gastando tempo e energia (já gastei muito) publicando opiniões que ninguém solicitou sabendo que boa parte das pessoas vão estar em desacordo?

Ficaria se não tivesse mais o que fazer, e se pagasse minhas contas com isso. Mas não é bem esse o caso.

Além de que, nessas discussões online, quanto mais comentários numa postagem, mais você será “apenas mais um” ali falando publicamente sobre assuntos quase sempre irrelevantes, ou assuntos cuja sua opinião não terá a menor influência real para mudá-los.

O mundo continuará conservador, homofóbico, racista, machista e de modo geral, injusto, por um bom tempo ainda.

E não vai ser nosso comentário indignado no Facebook que vai mudar isso.