Ontem eu li um texto que dizia mais ou menos assim:

“As pessoas estão emburrecendo, não sabem nem interpretar um texto direito”.

De vez em quando um sumo sacerdote da análise social rasa e dramática, que se acha crítico e consciente (e um grande interpretador de textos) se arrisca a dizer algo perigoso assim.

Entretanto, tal assertiva só revela que ele mesmo interpreta muito mal, não os textos, mas a realidade.

O erro começa com o próprio termo. Crer que se está emburrecendo alguém é admitir que esse alguém nasceu inteligente e detentor de ampla cultura.

Não!

E o erro continua pela desconsideração de um panorama histórico. Ora, se hoje temos uma taxa de analfabetismo menor que 10% e “as pessoas não conseguem interpretar um texto”, será que em 1950 quando 50% da população era analfabeta, elas interpretavam melhor?

E o que dizer de 1900, logo após a proclamação da nossa republiqueta, quando mais de 80% da população brasileira era analfabeta…

Já foi pior, muito pior...

Já foi pior, muito pior…

Fonte

Não, amigos. As pessoas não estão emburrecendo. Elas sempre foram “burras”, só que hoje, com facebooks e big brothers da vida, elas ganharam visibilidade.

Nós é que estamos selecionando mal para quem estamos direcionando nossa atenção e apreço.

Pelas conclusões acima, acredito pouco que o Estado tenha alguma função neste fenômeno que chamam de emburrecimento da população, embora seja evidente que a ele não interesse uma população muito crítica ou consciente.

Justamente por isso, talvez o Estado tenha, isto sim, contribuído não para emburrecer, e sim para perpetuar o estado natural de ignorância das pessoas, através de suas políticas educacionais, que recebem menos investimento do que deveriam, e adotam práticas bastante questionáveis.