Depois que o Google deu uma freada na vida de muitos blogueiros, acredito que muitos deles repensaram aqueles conselhos que já ouviram de pais e familiares dezenas de vezes: “Por que que tu não faz um concurso público? Pense na estabilidade, pense na segurança, pense nos benefícios!”

Eu fui um deles! E desde há algum tempo tenho vasculhado um site sobre concursos públicos tentando encontrar alguma oportunidade que me despertasse um… UAU!!!. Porém olhei, olhei, e olhei de novo, e não gostei :( Daqui da região de Santa Catarina, consegui extrair as seguintes observações sobre o que encontrei:

  • Para ganhar um salário decente, isto é, cerca de 6 salários mínimos (na minha opinião), ou se é médico, ou se é dentista, ou se é engenheiro, ou se trabalha para o judiciário – o que exige formação específica a qual, no meu caso, não tenho.
  • Os altos escalões institucionais também oferecem bons salários. Uma dessas vagas com salário decente e acessível  é a de técnico judiciário, para a qual não é exigido diploma de curso superior, a qual porém tem uma concorrência assustadora de cerca de 90 candidatos por vaga.
  • Todos os outros profissionais merecem salários medíocres, segundo as instituições que precisam deles.
  • Professor é realmente a profissão mais desvalorizada. Conclui que a única possibilidade de salário decente para um professor é trabalhar para algum colégio particular conceituado. Fora dessas oportunidades não há salvação.

Tudo bem que mesmo para as vagas com salários aparentemente baixos, há benefícios e tal. Mas poxa, ficar correndo atrás de… benefícios? Achei que estávamos conversando sobre alcançar alguma realização na vida e não sobre se matar de estudar para se tornar escravinho do sistema em troca de algumas vantagens bobinhas… Agindo assim se estará agindo igual aos índios brasileiros que trocavam ouro por espelhinhos, facas, tecidos e outros cacarecos sem o menor valor, que os portugueses traziam da Europa.

Há grande diferença entre SERVIR aos outros com seus dons e talentos, e SUBMETER-SE a eles em troca de dinheiro. Esta última postura não está muito longe do que conhecemos como prostituição.

Ou vai ver eu que estou errado e a grande questão na vida seja por quanto nós estamos dispostos a nos vender

E se…

Eu que quase não sou indeciso :) fico em alguns momentos me perguntando se não estaria hoje numa situação melhor SE em vez de ter me empenhado na criação de sites e mais sites nos últimos anos, TIVESSE utilizado o mesmo empenho para se estudar para um concurso público. Não sei dizer. Talvez sim, mas acho que provavelmente não.

Até consegui uma remuneração razoável nesses últimos três anos, através de publicidade online, apesar de ter sido tudo muito trabalhado, muito estudado, muito penado mesmo, pois seguia desenvolvendo sites paralelamente. Hoje, embora às vezes tenha dúvidas a respeito do meu nível de remuneração, ao observar a remuneração oferecida para as vagas dos concursos públicos me mostra que valeu a pena todo esse meu esforço. Mesmo com esse susto que o Google deu em seus editores, praticamente não compensa para mim me meter a fazer concursos públicos, ainda mais levando-se em conta que não basta fazer as provas, é preciso ser aprovado, o que, né… não é nada simples.

Todas as escolhas que viermos a fazer na vida trarão suas consequências negativas e positivas. E para mantermos a sanidade é altamente recomendável que foquemos nas consequências positivas de nossas escolhas. No meu caso dizem respeito a essa DESnecessidade de me submeter diretamente aos outros em troca de dinheiro, sem TER QUE fazer tarefas as quais se fossem boas eles mesmos fariam, sem cumprir horários e ordens. Isso tudo tem sido para mim uma consequência muito positiva, quase vital ;)

E a questão da segurança?

Segurança demais aprisiona

Segurança demais aprisiona

Particularmente tenho uma grande reserva contra essa busca afoita e inconsciente do povo por segurança. Primeiramente porque segurança é um conceito beeem relativo. Ninguém está 100% seguro. Não tem circunstância estável nessa vida que uma desgraça jamais cogitada não possa desestabilizar. É da vida que seja assim.

Segundamente porque esse povo tá com medo de quê, hein? Não se bancam? Não se garantem? Teriam vergonha de trabalhar atrás de um balcão de lanchonete pra não passar fome?

Terceiramente porque acho que a sensação de se bancar por conta e a agilidade e a iniciativa que você ganha com isso são impagáveis. São as sensações de independência e autonomia que curam qualquer depressão.

E por fim, acho essa coisa de segurança coisa de gente meio preguiçosa lerda. Quem gosta de trabalhar com empenho e dedicação nunca fica na mão… O mundo precisa de gente assim e sempre vai pagar bem por isso. No final das contas, tudo sempre vai depender de você e de sua capacidade de se articular, de se mexer, de produzir valor para os outros.

Desgraças acontecem o tempo todo, mas você vai ficar esperando por elas? Ou vai focar no seu próprio desenvolvimento? A pior desgraça já aconteceu, que é termos nascido nesse mundo complicado :)

Apesar de todo esse ponto de vista sobre segurança, há quem prefira seguir o senso comum e correr atrás dela, ao invés de seguir as opiniões de doidos como este que vos fala, o que é muito natural :) E sobre segurança há algo que realmente precisa ser dito para quem pretende ganhar dinheiro com a internet. Isso aqui é igual um terreno com areia movediça. Está sempre mudando.

Exemplificando: Um funcionário público qualquer sabe muito bem que daqui a cinco anos estará empregado, independente de ele estar completamente insatisfeito com os rumos que a própria vida tomou. Eu, que sobrevivo de renda online… Sério, não faço a menor ideia de como estarão as coisas na internet daqui a cinco anos. O que  traz um panorama um tanto desesperador para quem está no ramo.

O que se pode fazer? Zeca Pagodinho diz em uma de suas músicas que enverga mas não quebra. Gosto desse dizer. Não se pode ter medo das coisas. Com exceção das questões de vida e morte, sempre haverá alguma saída, algum jeito para o pior dos problemas. Ou você confia em você mesmo, ou não sei porque está aí (sobre)vivendo…

Mesmo assim devo comentar o seguinte: Se você moleque tá querendo ganhar dinheiro com a internet, só o faça se realmente tiver paixão por isso aqui, ou se você for meio louco igual gente como eu. Do contrário, utilize seus esforços e neurônios para conseguir um emprego público. Porque afinal de contas, um pouco de benefícios não faz mal a ninguém, principalmente para você jovem, que ainda não conquistou nenhum.

Dificilmente será a internet que lhe dará esses benefícios.

Texto de 7 de setembro de 2011.

Textos relacionados

Abra sua mente, conheça pontos-de-vista diferentes sobre o trabalho:

A vida é feita de tempo
O trabalho dignifica ou indigna?
Se trabalho fosse bom, não seria remurerado