Ser feliz é o que importa

Ser feliz é o que importa

Já faz um tempo, o Idelber escreveu com muita clareza sobre o Ateísmo e a discriminação social ao grupo de ateístas, conclamando aos ateus que “saiam do armário”. Me pareceu radical em alguns pontos. O comentário do Victor resumiu bem o meu pensamento (não, eu não li todos, achei ao acaso) sobre o assunto. Mas eu não posso deixar de dar minha opinião, com base em minha filosofia de vida, a que compartilho aqui.

Essa coisa do ateísmo já virou discussão recorrente na internet, assim como o feminismo, racismo, etc. É bom que se discuta, é claro, com liberdade de expressão e RESPEITO acima de tudo. É bom que essas informações estejam se propagando como nunca antes. Eu mesmo me descobri muito mais machista e mais racista do que já supunha ser. Mas vejo uma falta de senso prático em todas essas discussões. A começar por um termo amplamente usado nessas discussões intelectuais, que é o termo DESCONSTRUIR. Bah! me perdoem minha visão simplista, mas nunca vamos chegar a lugar nenhum “desconstruindo”. O que se precisa é de fato CONSTRUIR algo diferente e melhor. Oferecer novas opções. Tudo, absolutamente tudo pode ser refeito de forma melhor. E mesmo adotando o termo DESCONSTRUIR no sentido de dissecar um comportamento e o pensamento causador, sério, as pessoas, digo o grande público, não querem complicação. Esse grande público nem quer, nem faz muita questão de PENSAR. Quer tudo mastigadinho. Então suponho que a “didática” tenha que ser outra.

Sem contar o termo pseudo. Pseudo-argumentos, pseudo-feministas, pseudo-intelectuais. Esse prefixo é a salvação para discussões intelectuais. O sujeito vem e quer expor seu ponto de vista. Aí vem você e diz: Ah mas esse é um pseudo-argumento. Pronto a conversa acabou. O sujeito fica perdido com cara de paisagem e você se sentindo o máximo e nem sabe bem o que está dizendo. Realmente cansa e você já não sabe mais o que é melhor, se instruir ou permanecer na ignorância e passar longe dessas questões que não fazem falta nenhuma. Afinal mesmo as coisas mais concretas podem ser negadas. Minha irmã faz bem isso. Você diz algo e ela: NÃO!!! Depois de algum tempo ela vai pensar sobre o assunto…

Eu não sei. Acho sinceramente que essa discussãozinha Deus existe, Deus não existe algo tão primário e sem propósito. Eu pensava muito isso quando tinha 14 anos. Mas passou… Que diferença vai fazer agora, pra mim, optar por uma idéia ou outra? Vou ter que continuar aqui trabalhando o tempo todo com minhas “trocentas” atividades para me manter na vida. Eu costumo me referir a Deus mais por hábito que por reflexão. No meu entendimento, esse “deus” é a vida que me anima, sem a qual eu seria um amontoado de moléculas orgânicas estéreis. Mas isso é um conceito muito meu. Uso o termo “Deus” porque as pessoas a quem escrevo o entendem melhor assim. Ver o George Carlin tirando onda das religiões não me faz rir, não porque eu discorde, mas porque os conceitos que ele passa são ÓBVIOS pra mim. É ÓBVIO que não existe INFERNO, é ÓBVIO que não existe PARAÍSO. Pra mim é natural que as religiões peçam dinheiro aos fiéis, afinal estão ali trazendo informações a eles com toda uma estrutura que custa dinheiro, enquanto eles próprios, os fiéis, poderiam comprar um bom livro e ficar em casa lendo e se instruindo por conta. Mas e quem quer ler? Aliás, escrevi sobre isso em outro post. A Universidade onde estudei também é um caça níquel que está deixando muita gente milionária. E o que ela faz? É um centro irradiador de informações! Mas eu aprendi infinitamente mais lendo livros do que nas aulas. Enfim, qualquer coisa que exista além do mundo físico conhecido fugirá inevitavelmente de qualquer possibilidade de compreensão racional. Por essas e outras simpatizo com o agnosticismo. Mas também não vou falar que sou agnóstico. Não sou p. nenhuma. Sou só um cara tentando fazer o melhor uso da vida de que disponho – e encontrando alguns comportamentos estranhos no caminho.

Também reluto em aceitar que meu modelo de mundo não passe de “superstições”. Vejo tanta coisa “acontecendo” em minha vida quanto mais creio em certos conceitos, mas é algo tão subjetivo, que expor isso seria cair no ridículo e continuo aqui sempre medindo palavras. Pois até mesmo nas questões de fé e cura, os estudos que afirmam terem encontrado resultados positivos são criticados em relação aos métodos empregados: Definição de fé, de cura, de melhora do estado clínico, número de amostras, aleatorização do tratamento, além de questões interpretativas, entre outras. Ou seja, tudo que envolve o lado espiritual da vida será subjetivo demais e nesta sociedade contemporânea, esqueça, o poder da fé NUNCA SERÁ COMPROVADO. Sempre vai ter o “Ah mas isso“, “Ah mas aquilo…”

Cansa, não cansa?

Inevitavelmente, quem adota o espiritualismo como balizamento da vida acabará se retirando do debate e… VIVENDO SUA VIDA.

Mensagens espirituais como a de Jesus, cuja essência pode ser encontrada em outros ramos da espiritualidade, resumem, pra mim, a idéia de que somos todos nós deuses de nossa própria vida. Todos tem a liberdade de lutar pelo que se deseja. Um nordestino não chegou a presidência do Brasil? Um negro não chegou a presidência dos Estados Unidos? Uma mulher não chegou à liderança da Alemanha? Poxa, o caminho não é esse? Esses indivíduos de camadas sociais menos favorecidas teriam chegado a tais postos se não acreditassem na possibilidade? Outros preferem desconstruir e, sem maiores perspectivas, correm em círculos e como diz meu pai: “nunca fazem rosca em nada”.

Tudo é possível ao que crê! Creio que o foco de nossas vidas é praticar essa mensagem, e não ficar questionando se quem a proferiu era Deus ou um personagem histórico. Senso prático é fundamental.

Agora, afora essa questão muito própria das nossas vivências diárias, se existe um deus ou não, ou o que virá ou não após nosso último dia de vida aqui, é de fato, algo que só fará alguma diferença prática exatamente lá, no último dia. Até lá vou viver cada dia de minha vida da melhor maneira que me for possível, CONSTRUINDO o meu próprio mundo.