Ondas gerando ondas

Ondas gerando ondas

Há um bom tempo, escrevi sobre o que chamei de Mecânica Espiritual. É um texto que expressa uma tentativa de fuga desse paradigma espiritual contemporâneo que trata de energias, anjos, espíritos, deuses, etc.

Hoje volto a abordar o tema, depois de muito questionamento e reflexão, aprofundando essa visão. Naquele texto, eu afirmava que o “mundo espiritual” é menos personalizado, isto é, formado menos por entidades espirituais e mais “automatizado” em suas manifestações em nossa vida diária.

Quando oramos a um anjo da guarda, ou a um santo, ou a um orixá, ou a jesus, ou para nosso guia espiritual, ou para duendes e fadas, ou para a entidade espiritual que for, não será necessariamente essas entidades, especificamente, que nos ouvirão e eventualmente, nos atenderão. E sim, será nossa força mental e espiritual que agirá sobre o que eu chamaria de matéria invisível que preenche todo o universo, e esta matéria, viva, responderá, de modo um tanto mecânico e automatizado, aos nossos anseios, e removerá as montanhas que precisamos remover em nossas vidas.

Veja bem, acho muito possível que essas entidades todas, os seres espirituais, existam. Só não acho muito provável que elas fiquem o tempo todo sujeitas às nossas vontades, muitas vezes cegas e mimadas. Ainda assim, a cada dia que passa estou mais convicto do modo como o mundo espiritual responde aos nossos pedidos, principalmente quando são justos, porém muitas vezes de modo indireto, através daquelas coincidências que não são coincidências, as sincronicidades.

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Mas, como esta ação ocorre nesse material invisível porém onipresente e onipotente, e que recebe de muitos a denominação de Deus?

Como que algo que estava em minha mente, de repente, do nada, se manifesta na minha realidade de modo aparentemente e tão convincentemente CASUAL?

Entendo que não é casual. Entendo que é apenas um processo imanente à natureza da matéria e da energia que a constitui, e que é infinitamente e imperceptivelmente mais RÁPIDA do que nossas percepções humanas são capazes de atinar.

Para compreender essa rapidez com que uma intenção se transforma em manifestação sem que tenhamos tempo de compreender o processo que a conduz de um estado para outro, me habituei a utilizar uma figura de linguagem que me é bem conhecida e que vou tentar explicar aqui.

Quando adolescente, fiz um curso de eletrônica. Aprendi MUITO sobre eletricidade, eletromecânica e eletro-magnetismo. Do eletro-magnetismo, entendi como o som, que é uma vibração mecânica, isto é, material (encoste o dedo num alto-falante em funcionamento e perceba como ele vibra), enfim, entendi como o som, uma vibração material, percorre longas distâncias “de carona” com uma onda eletromagnética, que é uma vibração imaterial, isto é, invisível e não palpável e que, portanto, por não ter peso nem resistência, alcança distâncias maiores.

Este é o recurso que se utiliza para a transmissão a longa distância de músicas, nos rádios, e nossas vozes, nos celulares. Primeiro transforma-se a vibração mecânica do som em vibração elétrica, através de um microfone. Esta vibração é modulada numa frequência elétrica muito mais alta e é transformada em ondas eletromagnéticas que percorrem os espaços até encontrarem uma antena de rádio ou de celular. Então ela é filtrada, retirando-se a frequência altíssima, restando a frequência baixa, voltando então a manifestar-se como som, através de uma vibração física e material, na vibração do alto-falante.

Veja que se o som fosse uma entidade, poderíamos dizer perfeitamente que ele não sabe que está sendo transportado. Ele só reconhece a si mesmo, mas não percebe que há uma outra onda, de frequência muito mais alta, que o está constituindo e transportando pelos espaços abertos. Ele existe, mas não sabe sobre o quê existe.

Ora, o mesmo ocorre com o nosso mundo físico. É um mundo grosseiro, rígido e lento, constituído por átomos cujas partículas ultramicroscópicas vibram numa frequência muitíssimo mais alta. E é nesse mundo de partículas, um “sub-mundo” vivo, inteligente e auto-consciente, onde tudo ocorre de modo incrivelmente mais rápido, enfim, é neste mundo sutil onde as coisas REALMENTE acontecem :) e acontecem ligeira e complexamente, trazendo-nos inspiração, proteção e realização, enquanto mal terminamos de piscar os olhos.