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Comentei sobre a paciência no último texto, que é uma resenha de um livro sobre este tema, e sobre como a impaciência é fruto de uma personalidade mimada que não aceita que as coisas não sejam como ela quer e se vinga do mundo com seus biquinhos, chiliques ou acessos de raiva e fúria nos casos extremados.

Então vem “um tal” de Gustavo Gitti e escreve um texto explêndido sobre esse tema, o qual não posso deixar de linkar aqui. É um texto voltado aos moleques frescos que volta e meia vemos por aí.

Devo salientar que apesar de o texto ser muito acertado na maioria das observações, há certos exageros aqui e ali. Por exemplo, o autor fala que a pessoa que não come certa fruta é mimada. Bom, depende. Se ela provou antes e realmente não gostou, fazer o que? Não dá pra ir contra o instinto a toda hora só para ser mais homem. O fim é quando a pessoa não come só porque olhou e não gostou – isso é frescura. O mesmo penso a respeito do frio, citado no texto. Acho que passar frio à toa, também só para ser mais homem é bobagem. Enfim, com exceção dessas passagens mais radicais, o texto abre os olhos de quem pode estar precisando, muito embora eu sempre conclua cá comigo que quem precisa ler certos textos ou mensagens jamais vai chegar perto delas, ou chegará um pouco tarde.

O maior acerto do autor sob o meu ponto de vista é essa questão de se viver somente para si, vivenciando prazer após prazer, sem se importar um mínimo com quem o rodeia, sem considerar o que é feito por nós. Vejo muito hoje em dia essa coisa da INGRATIDÃO na conversa dos adolescentes. Parece que tudo que é feito para eles é pouco e insuficiente. Na linguagem popular: “Nunca tá bom”. Em compensação, não sabem fazer nada de realmente útil. Varrer um chão ou lavar uma louça, que seja a própria louça, que são atividades rápidas quando realizadas por quem tem boa vontade, constitui para eles o fim.

Não vejo nada demais em usufruir de certos prazeres, ainda mais quando adolescentes. Muitos já vivem infelizes depois de adultos justamente porque se negam a possibilidade de vivenciar esses prazeres. Vivem muito em função dos outros e se negam atenção. É um assunto complicado e relativo. Mas um pouco de responsabilidade, ou pró-atividade em meter a mão na massa quando necessário, não faz mal pra ninguém.

Por outro lado, os adolescentes se reinventam completamente quando passam para a fase de adultos. Vi esse fato se repetir com vários amigos. No jargão popular, de repente você olha e percebe que a pessoa tomou jeito. Não dá para lhes cobrar, ou exigir muita coisa, aos adolescentes. São no geral cabeças ocas e o tempo, vocês sabem, é um santo remédio para todos os males da alma.

Gostaria de finalizar comentando algo evidente. Convenhamos, essa visão não se aplica só aos moleques mimados. GENTE MIMADA de uma forma geral, seja homem, seja mulher, vivem sob uma noção de mundo limitada e nos causam dó em observá-las.