Assim como em qualquer tema, não se pode também generalizar em relação aos livros de auto-ajuda. Há livros ruins em todos os gêneros. Há romances horríveis e sem graça, assim como muita gente que se acha poeta rimando “coração” com “paixão”. Há até livros categorizados como auto-ajuda que na verdade são totalmente anti-auto-ajuda na medida em que “remam” contra essa maré toda recheada de títulos chamativos e bizarros. O preconceito por ignorância até se compreende, mas preconceito intelectual não é uma expressão intrinsecamente contraditória?

Vem cá, me dá um abraço

Vem cá, me dá um abraço

Acho que vale a pena refletir sobre o porquê da existência deste imenso mercado de livros de auto-ajuda. Se as pessoas estão tão em busca de respostas, deve haver um motivo, e bem sério, cuja explicação daria uma bela tese acadêmica. Ao criticarmos a auto-ajuda (e seus leitores), não estamos respeitando as diferenças, já que nem todo mundo é tão bem resolvido. Intelectuais de todo o mundo, entendam!

Acredito sim, que alguns desses livros realmente ajudam as pessoas a se entenderem e a serem mais felizes. Afinal, estudar a si mesmo é uma maneira de crescer como indivíduo. É claro que contar com fórmulas prontas não é proveitoso em nenhuma situação e o marketing muitas vezes fala mais alto. Contudo, há forte diferença entre livros de auto-ajuda que pretendem impor fórmulas prontas para o sucesso sob algum viés da vida do leitor, e livros que falam da melhoria da qualidade de vida sob algum aspecto terapêutico.

Mesmo um romance pode ser de auto-ajuda ao ajudar-nos a ampliar nossa sabedoria através de relatos de escritores que conhecem profundamente a alma humana. Só dependerá da circunstância na qual se encontra o leitor ao ler o romance. Nossa lição depende diretamente da perspectiva adotada em relação ao que se aprende e, não por acaso, temas avançados exigem pré-requisitos, ou mesmo, bagagem experimental.

Afinal de contas, tudo que fazemos é para melhorar nossas vidas de alguma forma. A diferença que noto é que as pessoas, sempre mais escravizadas pela idéia de individualismo e competição, não encontram nas outras amizade, compaixão, confiança, etc. e não poder contar com alguém as desespera, o que cria essa demanda por auto-ajuda e palestras motivacionais. Tudo que os autores e editores fazem é atender essa demanda usando a credibilidade da ciência como algo “exato” para que as pessoas comprem a idéia de “sucesso garantido”.

Quem recorre a um livro de auto-ajuda não foi capaz de encontrar as respostas que buscava em sua família, paróquia ou escola. É exatamente essa a resposta para o enorme sucesso dos livros de auto-ajuda. As pessoas não encontram as respostas que querem, em nenhum lugar. E quem encontra, acaba fazendo outras perguntas. Então enquanto houver essas perguntas e esses anseios não-respondidos, livros como esses vão vender. A pessoa compra basicamente em busca de informações. Mas quem pode fazer a mudança é somente ela mesma, não o livro. E se um livro de auto-ajuda conseguir melhorar a vida do leitor em 10%, ótimo, não!?

Sou contra a exploração desmedida desse nicho de mercado que ocorre hoje. E acredito que viciados em livros de auto-ajuda continuam tão piores como antes. Mas existe sim um enorme contingente de pessoas que mudou para melhor após a leitura. Eu sou uma delas! E no final das contas, a realidade é o que pensamos e mudar a si mesmo não é também um passo para mudar o mundo a sua volta? De fato, se algum livro de auto-ajuda realmente fizer com que uma pessoa torne-se melhor em algum aspecto, que bom para ela. E para o mundo!