Primeiro ENTENDA, depois FALE
12 de novembro de 2008

Cansei de encontrar por ai atitudes vindas de determinadas pessoas que daquela forma agiram porque não têm noção do que fazem. Não adianta dizer que não mas eu, você e meio mundo adoramos criticar as atitudes alheias como um fim de mundo. Achamos absurdos pra lá e pra cá. Chegamos a deprimir ao constatar a ignorância e a decadência deste mundo. É assim, é mais fácil chorar, reclamar, criticar, do que entender. Sem contar aquela sensação boa de nos sentirmos melhores ao concluir que “o outro” se conduz de forma “inadequada” e nós, ah, nós sim sabemos o que é certo. Mas o que não vemos é que também nós nos rebaixamos ao julgarmos as coisas sem conhecer as situações a fundo.
Não, não estou defendendo o gênero humano. O ser humano só pega no tranco. Raros são os espíritos ilustrados e prontos para agir. Mas cabe a nós entender. Somente o entendimento da condição humana, e mais, do estágio atual de evolução de cada um, sim, somente o entendimento da condição alheia como se em tal condição estivéssemos, nos dá o direito de tirarmos nossas conclusões. Simples, coloque-se no lugar do outro. E então você vai perceber o quanto o “outro” está precisando de ajuda, de orientação, de uma mão estendida e de um olhar de atenção. Isso lhe soa piegas? Não é não, é real. A “ignorância geral reinante” é assustadora.
Até a bem pouco tempo atrás eu via com olhos desconfiados campanhas de fraternidade, de solidariedade, e desconfiava até mesmo do termo compaixão. Não estou falando das instituições que praticam esses atos. Estas podem agir integramente ou como instituições humanas que são, podem agir corruptamente. Mas falo aqui da atitude fraterna, da atitude solidária e também do olhar compassivo, não só em relação às necessidades humanas básicas, mas também em relação à desinformação que reina absoluta lá fora. Você realmente se importa?
Expressa-se muito atualmente um ponto de vista individualista, que descarta toda e qualquer piedade ao semelhante que vive num estágio de conhecimento supostamente inferior ao nosso. É porque “o povo é burro”, é porque “o povo é ignorante”, é porque “o povo vive pra comer”, “tem que tratar o povo a pão e circo”. É evidente que “a massa” vive em seu mundinho mas de qualquer forma, não desprezemos um pobre e miserável, pois é dele que sobrevivemos. O topo da pirâmide vive da sua base e ainda cospe em cima. Mas sem a base, o topo não seria topo. Filosofias à parte, o fato é que é a massa que sustenta o sistema. E quando julgamos o irmão menos favorecido concluindo que cada um tem o que merece, não estamos vendo que ele é mais uma vítima da própria ignorância.
Quando nos ofendem, quando nos magoam, quando nos agridem ou mesmo quando as pessoas agridem a si mesmas ou à sociedade em que vivem, perceba que só estão agindo do modo como sabem agir. Tirando os cabeças-duras a quem foi ensinado mas cujo ensinamento se perdeu pelo caminho, toda uma maioria age de acordo como (não) aprendeu a agir ou seguindo um instinto de sobrevivência não trabalhado em suas infâncias. E de duas uma: Ou você responde no mesmo nível, o que não é errado e é muitas vezes a única solução. Ou responde com superioridade, compreendendo e reagindo de forma inteligente, dando o exemplo.
É onde eu quero chegar. Volto a um lugar comum já tão batido e surrado quanto verdadeiro: Não basta dar o peixe, é preciso ensinar a pescar. Não só em termos de trabalho e renda, mas de educação mesmo. Não basta passar a mão na cabeça e aceitar, é preciso ensinar. Jean-Jacques Rousseau disse:
“Melhorai as opiniões dos homens e seus costumes melhorar-se-ão proporcionalmente”.
É de INFORMAÇÃO que estamos falando. Podemos até discutir: De que adianta disponibilizar a informação se não há interesse? Será mesmo que não há? Adam Smith concluiu em sua visão econômica muito bem aplicada a este caso: “A oferta cria a demanda”. Um dos serviços de internet que me desperta surpresa é o Yahoo Respostas. Nele as pessoas perguntam coisas que muito provavelmente têm vergonha de perguntar, ou que ninguém ao redor sabe e muitas vezes é difícil de encontrar na internet. Eu mesmo várias vezes ao buscar algo no Google me vi parando nas páginas do Yahoo Respostas. E neste serviço a surpresa não está só na popularidade, mas na prontidão dos outros em compartilhar o que sabem. Isso sim é democratizar o conhecimento. E a elite “pseudo intelectual” da internet ainda critica a inclusão digital. Tudo bem que tem um povinho “qui iXCREVi aSim” (olha eu me comprazendo em diminuir os outros de novo rs) mas há um lado muito bom nisso que chamam de revolução (e inclusão) digital que a disseminação irrestrita da informação.
Enfim, mais do que nunca, não só em níveis nacionais, com um investimento maciço em EDUCAÇÃO – mensagem já desgastada por ser tão falada e tão pouco efetivada – mas também no nível individual, através de nossa paciência e entendimento aliados à boa vontade em dialogar e orientar os desorientados da vida poderá fazer com que de fato possamos tirar nossas conclusões, mas agora sim, com CONHECIMENTO de causa e com a consciência de que estamos fazendo nossa parte.
[ATUALIZAÇÃO - 15/11/2008] – O título deste texto foi alterado. De todas as dificuldades que encontro para manter este site a pior sem dúvida é encontrar títulos “razoáveis”.
Autoria de Ronaud Pereira / Imagem Ilco
Tags: Bom senso, Espiritualidade, Gratidão, Humanismo


















Susy Lago
14 de dezembro de 2008 as 14:29
Roanaud, após ter lido tudinho…me veio o seguinte pensamento…que para combater a crítica em nós mesmos é preciso termos o sentimento da gratidão em nós …Sermos gratros pela vida e pelo auto grau de conhecimento que obtivemos nos leva a compaixão e a caridade desinteressada, aquela que nos dá alegria só de praticarmos não importa a quem ou a causa… gratidão é a palavra chave para qualquer ação que queiramos compartilhar… Abraço Susy
ronaud
16 de dezembro de 2008 as 1:05
Concordo inteiramente com você, Susy, em relação a importância da gratidão. Contudo me parece que somente a compreensão como consequência do conhecimento é capaz de dar vida ao nosso sentimento de gratidão. Só quando entendemos o que se passa conseguimos agradecer de coração, do contrário, a reação natural, humana, é renegar o que nos afronta. Obrigado pela visita.