Uma máscara para cada ocasiãoUma máscara para cada ocasião

Uma máscara para cada ocasião

Em termos simples, hipocrisia é falar uma coisa e fazer outra, quase sempre às escondidas. É levar uma vida com base em aparências, quando intimamente se sabe que não se é tudo aquilo que (se fez com que) os outros pensassem que é.

O lema do hipócrita é aquele bem conhecido:

Faça o que eu digo, não faça o que eu faço.

E encontramos um nível mais profundo de hipocrisia quando alardam certo tipo de conduta como a melhor, e, escondido, fazem exatamente o contrário do que pregam.

Entendo que a sociedade NOS FORÇA a agir assim em muitas ocasiões. E acabamos acatando esse proceder vil para evitar complicações ainda piores.

Mas tenho um problema em particular com a hipocrisia: Que dificuldade imensa eu tenho de fingir que está tudo bem quando não está.

E, otimismo à parte, quase nunca está.

Hipocrisia, filha do preconceito com a intolerância

A hipocrisia é sustentada pelo nosso PRÓPRIO impulso incontrolável de JULGAR o outro o tempo inteiro. Para não ser alvo de mau juízo alheio, o outro passa então a construir uma imagem artificial de si mesmo que atenda as expectativas dos outros – nós, eu, – a respeito dele. E assim passa a interpretar papéis, sustentando uma (ou mais) imagem artificial, construída, fabricada, de si mesmo. A postura hipócrita é uma busca por aceitação e popularidade. É uma busca por se encaixar nos padrões de comportamento e para ser acolhido pelo grupo dominante.

Encontramos isso acentuadamente em figuras públicas. Chega um ponto em que a imagem e a reputação de um sujeito público transcende a realidade da pessoa em si. Por isso deve-se adotar certa cautela quanto a mensagem das pessoas que estão na mídia. Elas SEMPRE vão falar o que você quer ouvir.

Enfim, estou mais ciente que se eu quiser viver num mundo menos hipócrita, devo começar por mim mesmo, evitando julgar os outros gratuitamente a cada passo. E procurando manter SEMPRE EM MENTE que qualquer um que me julgar está tão cheio de motivos para ser julgado quanto eu, e sabe muito menos da minha vida quanto… eu.

Eu não minto, eu omito

Quando você esconde ou tenta ocultar qualquer aspecto de você mesmo(a) e de seu comportamento, tentando projetar no outro uma imagem melhorada de si mesmo, também está alimentando a hipocrisia. Está cuidando para não cair no mau julgamento alheio.

Quando você escancara para os outros o que você é, principalmente seus aspectos menos desejáveis, está alimentando a verdade.

Isso é um dilema diário para todos nós.

Porque sabemos que não somos perfeitos, muito longe disso, e sabemos que ELES também não são. E se insistirem no contrário, simplesmente não vamos conseguir levá-los(as) a sério.

E também por saber que a perfeição, por aqui, passa longe, sinto aversão a qualquer possibilidade de parecer melhor do que sou. E na dúvida sempre fico tentando convencer os outros do quão tosco sou ou já pude ser :) Quando estou conversando com os outros, sempre me pego questionando-me se devo ou não comentar certos atos reprováveis da minha parte. Ora, reprováveis com base em qual critério? No deles? Então eu costumo falar mais do que… (o senso comum hipócrita diria que) devia!

E depois fico me remoendo por ter falado demais. Poxa Ronaud, e sua imagem de bom moço? (Como se fosse grande vantagem ser bom moço)

Até porque um misteriozinho ajuda a valorizar as coisas. Tudo que é muito direto perde um pouco do valor.

Não desejaríamos muitas coisas com ardor, se conhecêssemos verdadeiramente o que desejamos.
François de La Rochefoucauld

E um problema sério neste sentido é este site e meu perfil no Facebook. Muitas vezes me vejo assumindo e confessando coisas aqui e lá pelas quais fico me questionando se assim deveria proceder. Mas não consigo ser diferente e… por vezes creio que deveria ser ainda mais aberto.

A abertura e a transparência foi o motivo pelo qual mais me identifiquei com a autora Elizabeth Gilbert. Leia seus dois livros Comer, Rezar, Amar e Comprometida, e você saberá praticamente TUDO sobre ela e sua vida. Nela você não encontra pudor ou reserva, muito pelo contrário. Gostei muito dos livros dela, pela qualidade dinâmica e atual de sua escrita, por sua história, e sobretudo, por sua CORAGEM de contá-la como contou, escancarando tudo de si para os outros.

É pelas pessoas não terem CORAGEM de assumirem o que são é que o mundo atual vive imerso nessa lama de mentiras,  falsidade e hipocrisia.