Republico este texto por enfatizar os últimos pontos de vista demonstrados no texto sobre segurança emocional.

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Tempos atrás, compilei uma série de citações de Luiz Gasparetto e também de outros autores, num extenso texto a respeito de como podemos lidar com os outros em nossa vida. Ele ajuda a colocar a figura do outro em seu devido lugar em nossa vida.

No momento, estou lendo o excelente livro Desejo de Status, de Alain de Botton, autor com o qual realmente me identifiquei. Neste livro, o qual recomendo fortemente junto a QUALQUER outro livro do autor (muito embora esteja difícil de encontrá-lo), encontrei os trechos abaixo, os quais acabam apoiando bastante o texto citado inicialmente aqui, especialmente em relação à importância que damos às opiniões alheias. Eis os trechos:

Quando começamos a analisar as opiniões dos outros, propuseram os filósofos há muito tempo, fazemos uma descoberta triste que ao mesmo tempo, curiosamente, é um alívio: as opiniões da maioria da população sobre a maioria dos temas são permeadas por uma confusão extraordinária e pelo erro. Chamfort, ecoando a atitude misantropa de gerações de filósofos antes e depois dele, colocou a questão com simplicidade: “A opinião pública é a pior de todas as opiniões.”

O motivo para essa falha de opinião está na relutância do público em submeter seus pensamentos aos rigores do exame racional e no fato de que essas opiniões estão baseadas na intuição, na emoção e nos costumes. “Pode-se estar certo de que toda idéia que geralmente é sustentada, toda noção aceita, será uma idiotice, porque foi capaz de atrair a maioria”, observou Chamfort, acrescentando que o que é lisonjeiramente chamado bom senso é em geral pouco ou nenhum senso, pois sofre de simplificação, falta de lógica, preconceito e superficialidade: “Os costumes mais absurdos e as cerimônias mais ridículas são desculpadas em toda parte apelando à expressão, ‘mas esta é a tradição’ “.

[…]

“Aos poucos nos tornaremos indiferentes ao que se passa pela cabeça dos outros, quando adquirirmos um conhecimento adequado da natureza superficial e fútil de seus pensamentos, da estreiteza de sua visão, da insignificância de seus sentimentos, da perversidade de suas opiniões e da quantidade de erros que cometem… Devemos então ver que quem quer que relacione muito valor à opinião os outros confere a eles honra demais”, afirmou Arthur Schopenhauer, um modelo importante da misantropia filosófica.

Os trechos acima se relacionam fortemente com o que Nelson Rodrigues quis dizer ao concluir que “toda unanimidade é burra”. O fato é que, salvo pouquíssimas exceções, a maioria das pessoas está tão cheia de falhas na vida, e de opiniões sem fundamento na cabeça, que não poderiam jamais dar qualquer pitaco a respeito da vida alheia. Mas sabemos que é mais fácil apontar para o outro do que olhar para si mesmo.

É mais fácil julgar, do que entender.

E pelo mesmo motivo, não nos é razoável atribuir tanta autoridade às bem intencionadas opiniões dos outros.

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