Vem cá, me dá um abraço

Vem cá, me dá um abraço

Uma crítica constante destilada por gente culta se refere aos livros de auto-ajuda.

Pois bem, eu que sempre fui fã desses livros, não entendo tais posturas soberbas. Críticos apontam que a auto-ajuda, o novo pensamento, o movimento new age tornam as pessoas mais egoístas, narcisistas, individualistas etc, pois voltam-se demais a si mesmas.

Eu discordo.

Quando ouço críticas como estas, penso que na verdade são os críticos os que mais precisam de ajuda, pois não percebem que somos obrigados a viver com a atenção voltada para fora o tempo todo. Para o trabalho, para o estudo, para a família, para os amigos, para o namorado, namorada etc, e a grande verdade é que raramente olhamos para nós mesmos e nossas predisposições e necessidades reais além daquelas que a mídia nos diz que são nossas.

Para mim está mais do que claro que vivemos em função dos outros. Por outro lado ainda, o bom senso me leva a concluir que jamais conseguiremos ajudar qualquer um que seja, sem antes não conhecermos e resolvermos bem o que se passa dentro de nós.

É literatura? Se não for, não quero

Também ficam discutindo se auto-ajuda é literatura ou não! Pelamordedeus, o que essa discussão vai efetivamente construir? O único resultado que essa discussão pode gerar é o indivíduo se sentir melhor que os outros, porque ELE sim, lê literatura de verdade, enquanto os outros leem esses livrinhos aí… de… argh… auto-ajuda ;) A auto-ajuda é desprezada por quem se considera intelectualizado, como se fossem pessoas super bem resolvidas e dispensassem aqueles conhecimentos básicos mas muitas vezes fundamentais para se levar uma vida equilibrada.

Mas é preciso entender que todo mundo nasce ignorante mesmo (no sentido de ignorar qualquer conhecimento, mesmo os mais básicos) e quem não entende que o grande público PRECISA destes conhecimentos, por mais básicos que sejam, no fundo só mostra que igualmente ainda tem muito o que aprender.

Os livros de auto-ajuda são apontados como inconsistentes, mal embasados, e alguns são apontados como produto de charlatanice. Como em qualquer tipo de literatura, evidentemente, também neste ramo, encontramos estas péssimas obras. No entanto também encontramos ótimas mensagens para a melhoria da qualidade de vida das pessoas. Muitos livros de auto-ajuda trazem grandes verdades psicológicas e espirituais que, se aparecerem na hora certa na vida de quem as está precisando, podem colocar a vida do indivíduo pra cima instantaneamente.

Nada mais natural

Para mim a auto-ajuda está quase que para “literatura técnica”, na medida em que nos proporciona um auto-conhecimento que não conseguimos encontrar de outro modo. Afinal, as igrejas em geral se limitam mais em seus dogmas do que no esclarecimento de nossa natureza humana, psíquica e espiritual. E esta mesma natureza humana e psíquica também não nos é devidamente esclarecida na escola, então o que nos resta? Recorrer aos livros. É totalmente apropriado e válido procurar nos livros o conhecimento que a vida não nos apresentou, mas que nos cobra a cada dia.

Pouco adianta ser grande e não conseguir enxergar longe

Há quem consiga viver bem, com equilíbrio e força interior e esses geralmente dispensam esse tipo de leitura, muito embora muitos não tenham aprendido a dispensar também o preconceito. Aprenderam a viver com razoável equilíbrio, mas não aprenderam a compreender o semelhante. Está aí, lhes falta EMPATIA e a COMPREENSÃO da miséria espiritual da condição humana e da consequente necessidade de levar a toda a gente um conhecimento (informação) melhorado – básico, é verdade – contudo melhor do que qualquer ignorância.

O bom é ser um depósito de conhecimento ambulante

Intelectualismo, isto é, conhecimento unicamente, não resolve nada e às vezes só piora, porque deixa a pessoa “neurótica”, pessimista e cética, não só com o mundo, mas com ela mesma, negando a si mesma possibilidades que vão além do que lhes parece “razoável”. Toda informação, conhecimento, idéia, só tem ALGUM valor quando postas em prática para melhorar nossa qualidade de vida, AGORA. Essa nossa característica explica porque as pessoas lêem e lêem e lêem e passam a vida toda lendo, se tornam profundas conhecedoras de certos assuntos, mas simplesmente não progridem na vida, verdadeiramente. E depois dizem, simploriamente, que os livros de auto-ajuda não funcionam. Mas não é pros livros de auto-ajuda funcionarem, criatura, é pra VOCÊ FUNCIONAR. Pouco resolve se tornar um livro ambulante, porque livros não transformam a sociedade. Quem a transforma são as pessoas de ação que os leram e colocaram o conhecimento em prática.

Um ser em constante aprendizado…

É claro que a auto-ajuda tem pontos negativos os quais ainda assim dependem do nível crítico de quem a segue. Por exemplo, quando um livro afirma que seu corpo e seu ambiente são o que você tem pensado nos últimos tempos, e sua vida está uma verdadeira m., você terá dois caminhos: Se culpar e autocriticar ainda mais, diminuindo ainda mais sua autoestima e piorando seu quadro geral. Ou aceitar-se como um ser em evolução e passar a retrabalhar a qualidade dos seus pensamentos, concentração e atenção daqui pra frente e então sim, depois de algum tempo, trabalho e dedicação, colher os primeiros frutos, que será a melhora da sua qualidade de vida.

Um mínimo de senso critico é sempre bem-vindo. Independente de a informação adquirida em qualquer livro ser de qualidade ou não, se você for um cretino, sua vida continuará sendo a vida de um cretino.

Links

Tenho aqui um texto de Luiz Carlos Prates (clique e veja) no qual ele como sempre resume a questão com pouquíssimas palavras.

A Wikipedia tem um texto bem interessante sobre as definições de auto-ajuda (clique e veja).

A revista Veja tem uma ótima reportagem sobre o tema.

Veja minhas sugestões de livros de auto-ajuda (clique e veja) através de resenhas e da minha opinião sobre cada um.