“ Nunca devemos esquecer que arte não é uma forma de propaganda, é uma forma de verdade. ”
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Gente muito inteligente dá medo

15 de maio de 2009

Só leitura não basta.

Então vem você e me diz: “Então continue burro!!!” rs. Pois bem, levei dias para escrever o texto abaixo. Ficou grande, mas não tem jeito! É mais ou menos uma “continuação” de pensamentos que escrevi aqui.

Eu tenho medo de alguns intelectuais, sabia? Você talvez possa pensar: “É claro, sem preparo intelectual qualquer um se sente intimidado”. Sim, é isso. Mas fico aqui tentando me defender quanto à idéia de que esse “meu medo” não é só quanto ao meu despreparo intelectual.

É que cada vez mais quero partir para leituras diversificadas. Quero fugir um pouco dessas leituras pragmáticas em relação à bolsa de valores ou à minha atuação profissional e partir mais para o lado da Literatura. Porém vejo acontecer com certas pessoas em relaçao ao desenvolvimento cultural, o mesmo que acontece com outros quanto ao crescimento financeiro. É a soberba, a arrogância, resultantes do estreitamento da visão de mundo do indivíduo, efeito que deveria acontecer de forma inversa. É quando aprendem de tudo, mas não aprendem o essencial: Conhecimento é uma coisa, sabedoria é bem outra.

É com base nesse raciocínio que mantenho “um pé atrás” com gente que usa demais a mente, mas esquece de desenvolver o bom senso. Tendem a ser idealistas e pouco práticas, falando de coisas que não vivenciaram e vivendo a vida rodando em círculos, se achando muito acima dos outros. Não “enxergam” as verdadeiras motivações que movem as pessoas. Tem pouco senso de prioridade e se levam a sério demais, só pensando em nos convencer a respeito das suas visões de mundo, quase sempre negativas. E isso além de ser chato, contamina.

Por mais que você seja bem resolvido quanto à sua visão de mundo, assim que alguém tenta te convencer a respeito de algo, imediatamente você ou fica na defensiva ou se sente compelido a convencê-la de suas opiniões. Temos uma dificuldade imensa de aceitar que outros possam ter opiniões diferentes. Temos maior dificuldade ainda em aceitar que os outros simplesmente “preferem” continuar acreditando em seus conceitos, mesmo diante de fatos ou argumentos irrefutáveis. Odeio entrar em discussões. Porque eu só me convenço quando deixo me convencer e o mesmo funciona para os outros. Quando você rebate os argumentos do outro, ele se sente desconfortável e muda o rumo da conversa. E continua acreditando no que sempre acreditou. É ou não é assim? Dale Carnegie, em seu clássico Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas já havia percebido que o melhor meio de vencer uma discussão é não entrar nela. O mesmo concluiu Machado de Assis ao preferir manter-se distante do “pugilato das idéias”.

Já encontrei ou ouvi falar de gente com muito menos bagagem intelectual, mas que foi muito longe na vida. Taí o nosso presidente Lula que não me deixa mentir. Sem entrarmos nos méritos ou deméritos de seu governo, o fato é que ELE CHEGOU LÁ! E a razão de pessoas como ele terem ido tão longe é o fato de serem pessoas de ação. Se precisam de algum conhecimento, sabem onde buscar e o usam para melhorar sua qualidade de vida e seu poder de transformação social.

Recentemente um amigo me contou de um programa que viu na televisão, no qual entrevistaram moradores do edifício COPAN, famosa obra de Oscar Niemeyer, erguido em São Paulo. Enfatizava meu amigo haver neste edifício (como deve haver em toda parte) grande número de pessoas muito inteligentes, intelectualizadas, cheias de opiniões e posicionamentos morais, mas frustrados. Inteligentes, mas pobres. A maioria aposentados e mal pagos. Fruto muito provavelmente do apego a ideais irreais.

Essa observação logo me remeteu à grande lição que aprendi com meu pai e que reforcei após a leitura do livro Pai Rico, Pai Pobre, de Robert Kiyosachi (tão criticado justamente pelos “intelectuais”). A lição é simples: “De nada adianta estudar a vida toda, se não se aprender a ganhar dinheiro de verdade”.

Na literatura há um caso perfeito a se lembrar: Paulo Coelho! Ele, cujos críticos muitas vezes “Não leram, e não gostaram”, conseguiu uma visibilidade nunca antes alcançada por algum autor brasileiro. Milhões e milhões de livros vendidos, traduzido em dezenas de idiomas. Se isso não é competência, não sei o que mais pode ser. Evidentemente sua linguagem é muito própria, simples e direta. E quem pode dizer que é uma liguagem “pior” ou ‘melhor”. Alguns críticos ressentidos o chamam de “Fenômeno de Marketing”. Ok. O marketing é uma ótima ferramenta de vendas quando bem utilizado e é acessível a qualquer um. E porque outros autores também não o utilizaram para conseguir semelhantes feitos? Ai, a inveja é uma perda de tempo e energia.

Na internet se vê muito disso. Gente inteligentíssima, conhecedoras de grandes autores e idéias, mas totalmente desprovidas de um senso prático, ou construtivo, da vida. Lendo textos pela internet dessa gente é fácil perceber que apontam e se apegam sempre ao lado negativo das coisas, e isso contamina. Nada é tão simples quanto parece e tudo poderia ser melhor, ou diferente. Nada está bom, e isso me deixa mal. É quando sinto que a alienação tem suas vantagens. O espírito crítico em demasia faz mal. Porque quase tudo que “vemos” como errado, não podemos mudar. Há muito pouco ao nosso alcance e essa constatação me faz crer que é nesse “pouco” que devemos manter nossa atenção. Pois deve ser perturbador para eles, a vida neste mundo, e definitivamente, não quero isso pra mim.

Pretendo iniciar ainda este ano uma nova fase em minha vida, mais dedicada a leituras. Sinto falta de melhores parâmetros para observar e entender o mundo que me rodeia. Livros clássicos tendem a ser melhores do que os best-sellers atuais e são também muito mais baratos. Quero continuar o que iniciei na época da faculdade (biblioteca gratuíta é uma maravilha) e espero levar isto para o resto da vida. Não vejo nada mais estimulante e edificante na vida de uma pessoa do que expandir seus pontos de vista. Mas não nos tornemos complicados. Continuemos simples. Usando palavras simples. Pensando de forma simples. Não vejamos chifres em cabeça de cavalo. Não deixemos jamais de compreender as limitações e a condição na qual estão os que nos rodeiam. E que jamais vivamos como se o que sabemos fosse mais importante do que o que fazemos de útil e construtivo nesse mundo.

Ronaud Pereira

Encontrei aqui, por acaso, um artigo que vai muito mais fundo que eu nesta questão.

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Há 15 comentários para este post:
Como ter sucesso na vida? Comprometimento! - Mensagens Reflexões Textos - Ronaud.com

18 de maio de 2009 as 21:36

[...] de fatores dentre os quais um dos mais importantes e fundamentais é conhecimento. Falo de conhecimento útil… E esta busca empenhada deste conhecimento, juntamente às outras competências que você [...]

ivone

12 de julho de 2009 as 12:29

qnta sabedoria…
dentro de uma simplicidade, é isso q fz a diferença…. em leituras extensas q as vzes… é uma estrategia p/ ganho de si proprio!
gosto de pessoas q exponhe oq saia da alma….pois é onde percebemos a realidade da vida!!!
adoro escrever…é uma maneira q tenho p/ um deseabafo…q alivia a minha alma…sempre trazendo um apreddizado diferente….

Vanuza

23 de setembro de 2009 as 9:40

Parabéns! Você escreve muitíssimo bem, toca realmente na nossa sensibilidade e acima de tudo diz o que gostaríamos de dizer mesmo sem encontrar as palavras certas.
Muito obrigada por você existir.

ronaud

25 de setembro de 2009 as 12:18

Vanuza,

Muito obrigado por suas palavras sinceras! ;-)

Gregos e Troianos e a comunicação não verbal - Site Pessoal com Frases e Pensamentos, Textos e Mensagens, Reflexões e Achismos… RONAUD.com

25 de setembro de 2009 as 12:39

[...] A certos blogueiros, que costumam usar mais o raciocínio do que o bom senso, é difícil entender isso? Em uma certa ocasião eu levei uma “patada” de uma blogueira que de tão inteligente, é incapaz de usar o bom senso e relevar nossos comentários troianos. É incapaz de perceber que o que eu queria era demonstrar que passei ali, que a achei muito inteligente e considerei seu blog muito pertinente. Mas ela foi incapaz de ler entrelinhas. As palavras dela: “C*ralho, odeio comentário que não acrescenta nada.” Não me pergunte agora qual é o meu conceito sobre a tal blogueira!!!? Daí vieram textos como este. [...]

Ana Maria Mantzos

03 de novembro de 2009 as 16:03

Conhecimento sempre é bom, mas quando a danada da vaidade gruda no indivíduo e ele acha que sabe tudo, é meio difícil de suportar e conviver. Em casos como esses, eu também não discuto com eles. Discutir pra quê num caso desses? Quando esses pretensos intelectuais estão nas nuvens, nem uma âncora os tira de lá.

Emerson

04 de dezembro de 2009 as 19:15

Na minha opinião você foi infeliz,quando ressalta o espirito comercial das artes(subjetivamente) e desmereceu quem faz as coisas com a alma ,e não pra ganhar grana.Esses são artifícios do mundo globalizado capitalista,mas poderiam não ser,vc precisa destruir esse paradigmas pra ser um pensador livre.

Abraço

ronaud

05 de dezembro de 2009 as 11:46

Emerson, confesso que não tenho a menor pretensão de ser “um pensador livre”. Isso é coisa de gente grande :-)

Se o assunto “grana” é “só” um artifício do mundo globalizado capitalista, então me fala um lugar onde não se precisa de “grana” pra viver… To indo pra lá já!!!

Raciocínio assim me faz crer que a maior ilusão que alguém pode incorporar é querer viver sem ilusões (ou desprovido de paradigmas, como queira).

Obrigado pela visita!
Abraço ;-)

Emerson

07 de dezembro de 2009 as 18:14

Interpretação equivocada a sua do que eu quis dizer.Relativo a grana eu só quis dizer que a produção artística pra ser arte de verdade ,tem que se desvincular do mercado ,e eu sei que isso não é de todo possível,não obstante quando a arte vira produto ,ela paradoxalmente perde o que a caracteriza como arte.
Eu também não disse em momento algum que vc nem eu não possuímos paradigmas,vc precisa aprender a ler, eu só quis dizer que as vezes um problema está sem solução correta porque as pessoas se firman ao mesmo paradigma e não conseguem pensar de uma forma “livre”.Não existe ninguem sem paradigmas ,muito menos ilusões ,mas existem uns e outros que enxergam as coisas sobre o prisma correto. ;)

ronaud

07 de dezembro de 2009 as 19:31

Ok Emerson, obrigado.

Emerson

07 de dezembro de 2009 as 23:32

kkkkkkkkkkkkkkk (De nada)

O paradigma do paradigma ou esqueça essa história de paradigmas - Textos e Mensagens, Frases e Pensamentos, Reflexões e Achismos… - RONAUD.com -

02 de janeiro de 2010 as 16:30

[...] texto eu escrevi a semanas, porém só agora consegui o “acabar”. Bom, um leitor deixou o seguinte comentário em um texto já antigo: Na minha opinião você foi infeliz, quando [...]

karine

24 de abril de 2010 as 20:07

Olá Ronaud!

Sou estudante de Gestão de Recursos Humanos, atualmente também trabalho na área (formação e folha de pagamento), e seu site é muito interessante, descobri buscando frases de motivação para repassar a minha turma, porém descobri os artigos, gostaria de parabenizá-lo é muito bom, edificante e estimulador… Você escreve muito bem e as frases são ótimas… parabéns novamente.

JrK

09 de maio de 2010 as 1:06

Se quer entender melhor as coisas indico o livro “admiravel mundo novo”, é bem antigo mas ainda assim bem atual, vocabulario de facil leitura, no sebo comprei a 5 reais e novo compra a uns 15, otimo livro, garanto qvc vai gostar!

Questões difíceis Textos Reflexão Mensagens Frases Pensamentos Achismos… - RONAUD.com -

20 de julho de 2010 as 23:53

[...] vivo exatamente isso, e veja o quão distante estou de ser um intelectual – quem sabe, ainda bem ;-)  [...]

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