E que tal uma dose de paciência?
16 de fevereiro de 2009

Volta e meia vivemos épocas de “iluminação” onde um grande conceito nos aparece claro e compreensível diante de nós. E acredito ser este o episódio cíclico ao qual Raul Seixas se referia quando escreveu a Metamorfose Ambulante. Dentre estes tantos momentos por mim já vividos, um dos mais recentes diz respeito a compreensão do quanto o exercício da PACIÊNCIA nos é importante e fundamental no decorrer da nossa vida, entre empreendimentos de toda ordem, como amorosa, familiar, financeira, saúde, entre tantos possam ser nossos intentos.
Sem paciência, nada será concretizado. Há proverbiais verdades as quais não se pode ignorar:
O apressado come crú.
O preguiçoso trabalha em dobro.
Ou seja, a diligência na condução de qualquer ideia, envolvida pelo sentimento da paciência certamente é a melhor e mais efetiva trilha para o sucesso. Porque diz respeito a ação. De pouco adianta conhecermos a fundo qualquer técnica se não temos o QI emocional necessário – o que se traduz por firmeza de espírito, ou de propósito e muito tato – para sabermos dosar cada ingrediente na receita final.
Neste blog, o autor questiona se por vezes o excesso de paciência pode nos levar a um estado de inação que prejudicaria a conclusão dos ideais em questão. Quanto a isso, creio que a seguinte passagem bíblica nos dá o devido direcionamento:
Vigiai e Orai, para não cairdes em tentação. – Jesus (Mateus, 26,41)
Muito embora Jesus tenha pronunciado estas palavras com o intento de orientar-nos ao afastamento do “pecado”, tal modo de se conduzir bem serviria como um lema para a nossa realidade. Vamos resumí-la a:
ORAI e VIGIAI !
Não é um belo lema para a vida? ORAI, porque a oração, seja da forma que for realizada – através da recitação, meditação, mentalização, ou simples conversa com Deus – é tão necessário para nossa alma como os alimentos são para o nosso corpo. Muita gente vive em constante estado de confusão mental e não sabe o porquê… Alguns minutos de recolhimento nos fazem um bem inenarrável.
E VIGIAI porque quem dorme no ponto perde o ônibus. Afirmação tão cômica quanto recorrente. Por quantos episódios você passou pelos quais teve algum tipo de prejuízo, seja material ou emocional, por um simples descuido? Seja aquela conta que você esqueceu de pagar no vencimento e teve que enfrentar a fila do banco e ainda arcar com multa e juros; seja aquele compromisso que você esqueceu e teve que correr muito mais atrás para resolver o problema; ou seja aquela distração boba em meio ao trânsito que quase nos põe fim à vida. Enfim…
É o olho do dono que engorda a boiada.
Comecei falando de paciência e acabo por discorrer sobre a necessidade constante de atenção no que estamos fazendo. Não porque tenha perdido o rumo da conversa, mas porque acredito que a vigília constante é o nosso melhor regulador. Através dela e da reflexão seremos capazes de discernir entre reforçar nossa paciência e perseverança diante dos nossos projetos de vida ou tomar atitudes mais drásticas para alcançar nossos objetivos.

A questão “paciência” sempre será atual enquanto houver algum ser humano perambulando por este planeta. A virtude das virtudes, que em esperar, nos coloca em nosso devido lugar, com o entendimento que ainda não chegou o nosso tempo, porque ainda não estamos preparados para a situação almejada. Enquanto pacientes, nos entendemos esperançosos, humildes e crentes que nosso intento há de se realizar nem que providencialmente.
E eu, que “quase” não uso citações, finalizo com mais uma:
A paciência faz contra as ofensas o mesmo que as roupas fazem contra o frio; pois, se vestires mais roupas conforme o inverno aumenta, tal frio não te poderá afetar. De modo semelhante, a paciência deve crescer em relação às grandes ofensas; tais injúrias não poderão afetar a tua mente – Leonardo da Vinci
Ronaud Pereira
Tags: Arte de viver, Atenção, Auto-conhecimento, Bom senso, Metas, Paciência, Sucesso


















Fernando Quirino
17 de fevereiro de 2009 as 0:42
Muito bom texto, realmente. E obrigado pelo link. Todas as formas de concentração, ação e principalmente paciência são bem vindas a seu modo e com certa moderação. Já que todos os excessos são nocivos =]
Damnati
22 de fevereiro de 2009 as 2:27
Duro é confundir paciência com tolerância exagerada ou pior ainda, com inércia.