Brasil, o país da polka e do hóquei no gelo.
18 de setembro de 2008

O nosso Brasil varonil continua exaltando ânimos. Há os deslumbrados com a situação (e política) atual e há os críticos inveterados, time do qual faço parte. Nelson Rodrigues disse que o brasileiro é um narciso as avessas que vive se desmerecendo. Para dizer isso ele tinha certamente grande conhecimento de causa. O nosso presidente Lula também já disse que o brasileiro gosta de falar mal do Brasil enquanto que não vê os “americanu” falando mal dos “Estados Unido” e os “Suíço” falando mal da Suíça, mas o Lula é suspeito. Pois bem.
Recentemente eu li esse post do Cardoso com o qual eu concordei em gênero, número e grau. Definitivamente, não está tudo bem por aqui. Certas coisas nesta terra são deprimentes, e certos valores estão invertidos (quem sabe por estarmos abaixo da linha do equador). Mas por outro lado, o que sempre foi da minha natureza, acabei questionando se as coisas são realmente tão ruins por aqui. Outro dia ouvi um desses artistas comentar o seguinte: “Falam que o Brasil é o país do samba e do futebol, com certo desdém, mas queriam o que? Que fosse o país da polka e do hóquei no gelo???”
Quer dizer, nós temos o ritmo mais animado do planeta, razão de ser do também maior espetáculo da Terra, o carnaval, mas não está bom, preferímos criticar e dizer que o samba é som de periferia, coisa de vagabundos. Temos o maior ninho de craques de futebol do mundo, mas quando um jogador é vendido por milhões de dólares de um time pra outro, achamos um absurdo, que é muito dinheiro por pouco valor, que é uma desproporção, porque isso, porque aquilo.
Sentimos um certo desgosto em constatar que o Brasil é um país agrícola, o “celeiro do mundo”, etc, preferíamos que as mais avançadas tecnologias do mundo tivessem sido criadas aqui. Mas talvez uma certa aceitação de que somos de fato um país diferente, um país agrícola sim, mas agrícola com alta-tecnologia, muita da qual desenvolvida aqui mesmo, nos fariam sentir melhores com a nação que juntos formamos.
Quer saber, concordo com Nelson Rodrigues, não sabemos valorizar o que temos. Em termos de auto-estima, o pior que podemos fazer a nós mesmos é nos compararmos a quem é supostamente melhor do que nós. Vejo que o mesmo se aplica à comparação entre as nações. Não adianta querermos ser iguais a esse ou àquele país, embora com um pouco de esforço sempre haverá espaço para conseguirmos nossos êxitos, seja na área que for. De qualquer forma, somos o que somos e, ou aprendemos a utilizar nossos recursos a nosso favor, trabalhando para melhorar o que tem para ser melhorado, ou então, vamos sentar e chorar.
Não adianta ficarmos reclamando que aqui é pecado ter sucesso, que esse é o país do “coitadismo”, que quem assume o próprio sucesso e competência é visto como arrogante se de fato, sempre voltamos nossa atenção às mazelas da nossa sociedade. Acho que na verdade, o que falta ao povo brasileiro é uma visão mais empreendedora. Problemas não são problemas, são formas de se ganhar dinheiro. Com tantos problemas aqui para serem resolvidos, preferimos ficar reclamando ao invés de trabalhar para trazer progresso à nossa vida e por consequência ao nosso país.
Autoria de Ronaud Pereira
Tags: Arte de viver, Autoestima, Bom senso, Empreendedorismo


















Ernesto
04 de dezembro de 2008 as 15:15
Concordo com que nao podemos nos desvalorizarmos, mas, o que deprime sao as leis desse pais… desordem e malandragem! Isso acaba com tudo que e lindo nesse pais!