Já dei meus pitacos sobre ateísmo aqui. Como é fácil perceber lendo meus textos, creio em Deus sim, muito embora seja um Deus totalmente diferente do que o senso comum e principalmente do que as religiões apontam.

Creio no Deus de Einstein, para resumir. Segundo ele, ou você vive achando que o milagre não existe. Ou então percebe que TUDO É MILAGRE.

Acho esse papo de ateísmo meio chato. De forma geral, percebo, principalmente na internet, que os ateus são via de regras pessoas MUITO inteligentes e detentoras de um conhecimento invejável. Mas percebo que lhes falta uma pontinha de inteligência emocional – leia-se bom senso – (e alguns ateus ODEIAM inteligência emocional :-) ) para compreender a curta visão de quem nos impõe suas visões religiosas sob tons messiânicos. Sabe aquela coisa do maior prazer de uma pessoa (verdadeiramente) inteligente? Então as vezes encontro alguns ateus adotando uma postura proselitista, o que me parece de certa forma, contraditório. Poucas pessoas assumiram o ceticismo com a grandeza de um espírito realmente adiantado, como Carl Sagan:

“Não é possível convencer um crente de coisa alguma, pois suas crenças não se baseiam em evidências; baseiam-se numa profunda necessidade de acreditar.”

Ateístas afirmam que o ateísmo não é uma escolha, mas uma consequência. Sim, depois que você ESCOLHE basear sua visão de mundo com base na razão, evidentemente o ateísmo se mostra o caminho mais… er… razoável. Mas antes de se adotar a razão como critério de compreensão do mundo, há uma escolha sim. No caso dos crentes (seja lá no que for) a razão não lhes é o critério fundamental e sim a fé (seja lá no que for) ou necessidade de crer num sistema em que as coisas façam sentido, mesmo que imaginário, dentro do qual a razão não tem espaço. Nesse caso a escolha parte para o lado da conveniência (e não da exatidão lógica) e do alívio do peso existencial promovido pela ausência de algumas explicações práticas, como a fatídica: “O que é que eu tô fazendo aqui???”

Esses dias eu “filosofei” looonge e escrevi isso, no tumblr:

A grande questão pra mim é (e acho que sempre vai ser): A razão é mesmo o limite da compreensão? Existiria mesmo um campo além da razão? A razão serve mesmo como critério inquestionável de investigação e compreensão? E se a razão fosse algo delimitada? E em volta dela houvesse todo um universo maior e mais complexo de elementos e eventos? A razão é a matéria da qual é feita a compreensão total da natureza ou é apenas um campo limitado de atuação?

Talvez a razão não compreenda todos os campos da “existência”. Por exemplo, a razão nos ajuda a medir e construir com eficiência tudo que construímos até hoje, no “mundo físico”. E nesse mundo físico, ou seja, em todo o universo, é fato comprovado que Deus não existe. Deus não está em nenhum ponto do universo – físico. Deus não habita as nuvens de Michelângelo. Nem os confins da galâxia de Andrômeda.

Mas Deus está, ao menos conceitualmente, e principalmente, em sensações, dentro de nós. Assim como estão os pensamentos, o amor, o ódio, raiva, medo e todos os sentimentos e emoções possíveis, os quais não há razão ou método no mundo que possa medir. Não podemos medir: “Você me deve mais amor, porque você só sente um amor por mim, mas eu sinto dois amores por você. Vai logo, me passa um amor aí”. Há todo um “universo” interior que serve de fronteira, ou limites, para o campo de atuação da razão. Você pode abrir o cérebro de qualquer sem precisar cuidar para os “pensamentos” não caírem no chão. Neurônios não são pensamentos.

Esta é a minha visão atual como forma de compreender o grande vácuo que há entre quem afirma que Deus não existe e quem me vem e narra experiências extra-sensoriais. Acho que chamar alguém que teve experiências que eu não posso ter, ou repetir, de esquizofrênico é muito superficial. Pode lhe resolver a incompreensão, mas não resolve a questão. Soma-se a isso o fato de quanto mais “intelectual” for uma pessoa, menos propensa será a vivenciar experiências extra-sensoriais.

O universo interior – humano – é tão ou mais interessante quanto o universo exterior. Porque Deus pode “não existir”, mas existe algo magnífico, em todos nós – a CONSCIÊNCIA humana – cuja existência é inegável, porém tão intangível e inescrutável quanto Deus, e o pior é que nos acostumamos com esse fato mega-extraordinário. Nos acostumamos com o milagre de Einstein.