Abaixo, reproduzo um texto MUITO BOM encontrado aqui.

Crenças limitantes, realidade limitada

Não caia nessa

Não caia nessa

Existem diversas definições para timidez. Mas gostaria de dissertar sobre uma que pode ser muito mais útil para ajudar um tímido. Para mim, o tímido é um prisioneiro das próprias crenças limitantes. Ele cria na cabeça dele, e começa a acreditar de verdade, em uma realidade que o sufoca, e que de alguma forma o impede de ser completamente feliz.

Claro, não só os tímidos são acometidos por crenças limitantes, mas diria que viver em uma realidade limitante é o básico para que uma pessoa seja tímida. Pode ser que na realidade dela, o mundo seja hostil a ela, não goste dela e por isso o tímido prefere se esconder. Pode ser que ele ache que nunca se dá bem na vida por ser pobre, ou feio, ou qualquer outro problema externo em que possa botar a culpa, algo completamente fora de seu controle. Sua realidade limitante. Algo que para ele é tão real, que para ele não existe a possibilidade de lutar.

Mas vamos agora mergulhar um pouco mais a fundo na questão, coisa que acho que todo introvertido deve gostar de fazer nas horas vagas em que não está fazendo nada. Vamos analisar porque essas realidades são quase sempre (99,9% das vezes) irreais.

Para todo problema que você usa para justificar a sua falta de sorte na vida, vai existir uma pessoa que tem o mesmo problema e que consegue ser mais feliz. Isso é só questão de pensar um pouco, vasculhar na sua memória, ou perguntar a outras pessoas. Existem caras feios que pegam mulheres bonitas. Existem pessoas pobres que alcançam um bom emprego. Existem pessoas gordas que tem muitos amigos e são muito queridas.

SEMPRE vai existir um exemplo!

Obviamente isto não é o suficiente para os ultra-pessimistas de plantão. Eles sempre levantam outras questões. Imaginam suposições baseadas em suas crenças limitantes. Vão dizer que o sujeito feio que pegou a menina bonita deve ser rico. Que o pobre que conseguiu o emprego deve ter conseguido isso de forma desonesta. Que o gordinho deve ser a fonte de risadas do pessoal e que como alvo das chacotas ele acaba sempre por perto das pessoas. Normalmente, apenas suposições vazias que fecham o quebra-cabeça da realidade limitante dessa pessoa. Mas afinal, onde querem chegar essas pessoas, provando que o mundo é uma merda e que ele é um injustiçado?

Certamente uma razão para não enfrentar a situação.

Pois isso não o ajuda, não ajuda os outros que passam pelo mesmo problema e não ajuda quem está de fora. Isso só perpetua as crenças limitantes. Se apegar a esse tipo de crença vai no máximo mantê-lo onde está.

O potencial que você tem como ser humano depende radicalmente de suas crenças, do quanto elas permitem que você progrida. E é essa a grande diferença de pessoas que se dão bem na vida, para quem tudo parece tão fácil, e tímidos que preferem se esconder da vida. Essas pessoas bem sucedidas interpretam a realidade de um ponto de vista mais positivo. E TODO evento em sua vida, pode ser enxergado de um ponto de vista positivo. Toda tragédia, todo obstáculo, pode ser visto como um exercício para que você se torne um ser humano melhor. Todas as falhas, todos os erros são suas chances de ouro de aprender algo novo.

Por exemplo, tomar o fora de uma pessoa por quem estamos apaixonados. Esse é o tipo de experiência que pode ser tão terrível para um tímido que muitos passam a vida sem nem tentar nada. Enquanto uma pessoa “não tímida” pode passar uma noite tomando 100 foras, que para ele aquilo foi diversão, uma história que ele pode contar pros amigos, 100 chances para se calibrar melhor para as próximas vezes. Enfim, ele não se abala tanto, porque na realidade dele, o problema pode nem ser ele. As pessoas que deram os foras podem estar de mau humor, ou elas podem ser simplesmente esquisitas, ou podem estar sendo abordadas toda hora por gente chata e dar um fora de cara é a melhor forma de evitar aborrecimento. Enfim, o mais provável é que o problema não é ele. Essas pessoas nem o conheciam. Esse é um exemplo de realidade em que a pessoa tímida poderia viver, mas ela prefere pensar que ele é horrível, ou chato, ou algo assim e que simplesmente essa realidade não permitirá que ele possa vencer na vida amorosa. Besteira. Todos podem melhorar!

Não se permita viver em uma realidade limitante. Não se permita menos que você realmente merece (que todo mundo merece), uma vida plena. Você é que escolhe se vai viver acreditando nessas bobagens que o limitam, e continuar na merda por causa disso, ou acreditar em que pode melhorar, que deve melhorar, e que você vai tomar o mundo que é seu por direito. Uma realidade libertadora!

O buraco negro da ansiedade social

Suspeito que a maioria das pessoas tímidas não são programadas para serem tímidas. Elas não tem em falta nenhum talento inato de socializar, elas apenas tiveram um ou dois incidentes sociais no começo da vida, e em um esforço de evitar mais sofrimento social elas começam a errar para o lado do silêncio. Pois da última vez em que elas disseram algo e se arrependeram, a próxima vez que elas ficaram caladas, elas não se arrependeram.

O que elas não sabem, é que esta pequena lição que parece tão inocente é na verdade a semente para um hábito devastador. Toda pessoa tímida sabe que a coisa mais segura a se fazer é não dizer nada. Uma vez que alguém escolhe esta abordagem segura algumas vezes em seguida, uma traiçoeira bola de neve começa a ganhar velocidade.

A abordagem padrão para conversas começa a ser o minimalismo. Diga o que for necessário, mas não ofereça nada a mais. Qualquer coisa que você disser é sua responsabilidade. Toda frase te torna alvo de um exame minucioso. Cada pergunta que você faz revela sua ignorância. Toda paixão que você confessa dá abertura para que você seja ridicularizado. É melhor não dizer nada.

O silêncio rapidamente se torna a estratégia mais inteligente. E no curto prazo, ela é. Humilhação acontece com uma frequência muito menor.

Mas as consequências a longo prazo são brutais.

Você sempre olha para outra pessoa além de você para resolver as questões feitas ao seu grupo. Você começa a andar mais devagar para que outro membro do seu grupo vá falar com o garçom primeiro. Alguém pode facilmente cair no hábito de evitar responsabilidade social dessa forma, e essa dinâmica começa a influenciar outros aspectos da vida, como trabalho e família. Você nunca se sente como um líder, e isto porque você sempre evitou liderar. Liderar é ser responsável. E timidez, em sua essência, é evitar responsabilidade pelas coisas que você diz.

Timidez é tão devastante para uma personalidade porque seus efeitos se combinam muito rapidamente, criando uma personalidade externa que não reflete a pessoa, e um conjunto de habilidades sociais fracas que tornam a recuperação difícil.

Primeiro você evita conversação, porque isso apresenta risco. Esta relutância se torna habitual. Então, porque dizer nada é a abordagem padrão, a ideia de falar se torna mais assustadora, o que faz com que você evite ainda mais fazê-lo. Os pensamentos de humilhação se tornam um monstro que te ronda e persegue, que pode apenas ser evitado mantendo sua boca bem fechada. Quanto mais você evita a desaprovação dos outros, mais assustador isso se torna.

Ser tímido apenas mata sua auto estima. As pessoas começam a te tratar como se você não tivesse nada a dizer. E não é porque elas estão tentando te deixar de lado. É que quando você normalmente não contribuiu ou contribui muito pouco para uma conversa, eles não conseguem fazer nada além de assumir que você não tem nada a dizer. E se todos parecem te tratar dessa forma, você começa a acreditar. Você começa a executar o papel que as outras pessoas esperam de você, mesmo que não seja quem você é ou quem você quer ser.

Alguma dessas coisas soa familiar:

* Pessoas que você já conhece se apresentam a você várias vezes. Elas não se lembram de ter te conhecido, porque você não disse nada.
* Pessoas sabem que te conhecem, mas esquecem sempre seu nome.
* Quando alguém fala com seu grupo, sempre olha para outra pessoa quando espera uma resposta, nunca para você.
* Você frequentemente espera que alguém do seu grupo vai dizer algo, para matar o silêncio.
* Você fica nervoso, ou mesmo rancoroso, quando seu amigo vai ao banheiro e te deixa sozinho com alguém que você não conhece direito.

O que torna tudo pior é que a constante falta de prática te impede de melhorar sua conversação. Então quando você que falar algo, é porque está numa situação em que isso é crucial, como por exemplo uma entrevista de emprego. Seus músculos de conversação pouco desenvolvidos fazem com que você tenha muito menos chances de ter sucesso nessas situações de alta pressão, o que apenas cria mais resultados ruins e alimenta muito mais esse medo.

Este ciclo é um grande e escorregadio buraco negro, e uma vez que a pessoa escorrega demais para dentro dele, ela pode nunca mais sair. Muitos chegam ao ponto de desistir de algum dia se sentirem confortáveis socialmente.

Medo de falar em público ainda é o medo mais citado que medo da morte pela maioria das pessoas. E não é de se estranhar.

Se recuperando da timidez

Gastei muito tempo em fóruns da internet discutindo “como se recuperar da timidez” com outras pessoas, e é reconfortante saber que existem tantas outras pessoas na mesma situação.

Existem basicamente dois conselhos básicos que recebi e agora ofereço:

O primeiro é prestar atenção nas pessoas que sabem fazer isso. Sempre existem oportunidades de assistir como as pessoas interagem. Como elas iniciam conversas? Como elas terminam? Como elas mudam de assunto? Até mesmo ver conversas ruins pode te dar uma ideia de o que você poderia ter feito naquela situação. Só de prestar atenção nos outros você consegue montar uma lista de formas de começar e terminar uma conversa. Crie o hábito de assistir conversas.

O outro conselho é, claro, praticar conversar com outros. E prática sempre significa se permitir fazer as coisas de uma forma ruim até que você consiga fazê-la de uma forma não tão ruim. Significa fazer coisas com que você não está confortável no começo. Então, quando se trata de superar a timidez, isso significa falar mais do que o que você tem vontade de falar. Se você estabeleceu um hábito de deixar os outros falarem mais, não vai se sentir natural ao se abrir. Isso é bom, faça-o mesmo assim. Desconforto indica crescimento. Sempre diga um pouco mais do que você está acostumado.

Todos eventualmente reconhecem que músculos sociais atrofiam se nunca são exercitados, então não existe salvação para desconforto social que não envolva fazer um esforço para conversar.

Esse foi um dos pontos em que tinha mais dificuldade: eu odiava a ideia de conversar. Eu achava falso tentar forçar algo a acontecer dessa forma. Se houvesse algo significativo a ser dito, seria dito, certo? Infelizmente isso simplesmente não é verdade; é outra falsa crença criada para auto-defesa e que leva à auto-sabotagem. Eu vejo agora que conversar é uma das habilidades mais importantes na vida.

Para superar o MEDO

Sempre que você se rende ao medo, ele cresce. Sempre que você age mesmo sentindo o medo, ele diminui.

Por sorte, ele tende a diminuir rapidamente uma vez que você começa a se abrir. Você vai descobrir que as pessoas vão achar mais fácil se abrir com você. Pessoas desconfortáveis tendem a deixar as outras pessoas desconfortáveis, e pessoas abertas tendem a fazer outras pessoas se abrirem.

Entretanto, quando se trata de superar a timidez, existe um obstáculo que quase todos encontram, mesmo quando a ansiedade de falar começa a se dissipar.

O problema que a maioria das pessoas parece ter é que elas não sabem o que dizer. Elas podem não ter medo de falar, mas não conseguem pensar em como começar. As pessoas que sempre foram extrovertidas provavelmente possuem um arsenal inteiro de formas prontas de iniciar conversas – um resultado inevitável da experiência. Mas para o resto de nós, é frequentemente uma luta encontrar algo para dizer que não seja banal ou egoísta.

Os três patetas da conversação: clima, trabalho e eventos atuais

Puxar conversa é desconfortável para muitas pessoas, porque essas conversas tendem a ser sobre o clima.

– Ouvi dizer que amanhã vai ser bom.

– Sim, mas eu acho que eles mudaram a previsão. Vai estar nublado.

– Oh, que droga. É, verdade.

Horrível. Porque nós criamos este monstro de banalidade? Com certeza o silêncio seria melhor.

A razão do clima ser um tópico tão frequente de conversação é porque é algo que é relevante para a outra pessoa. Nesse sentido, é um assunto ‘seguro’. Mas não seria melhor se pudéssemos pensar em algo (qualquer coisa!) que poderia ser um pouco mais… cativante?

Mesmo com bons amigos. Frequentemente procuro por algo sobre o que conversar e acabo oferecendo algo como: “Então, como está o trabalho?” “Cara, está ventando muito hoje.” “Então, o que você fez ontem?”

Às vezes isso consegue fazer as palavras fluirem, mas frequentemente a conversa acaba caindo para assuntos dos quais nenhuma das pessoas realmente quer falar. A maioria das pessoas que eu conheço não se sentem especialmente animadas em passar seu tempo falando de seu trabalho, ou falando hoje sobre o que fizeram ontem. Nós nos obrigamos a levar essas conversas porque elas parecem ser melhores que o silêncio. Concordo que é um pouco melhor, mas com certeza é melhor quando nos oferecem algo específico para nós como assunto.

Quando você traz para a conversa algo com que a outra pessoa se importa genuinamente, o entusiasmo começa a fluir. Um senso de colaboração emerge, e conexões se formam.

Melhores amigos geralmente conseguem mais facilmente fazer uma conversa significativa fluir, porque eles se conhecem muito bem. Ambos sabem sobre o que o outro quer falar. Com conhecidos, ou amigos de amigos, é mais difícil saber qual assunto é o melhor, por isso acabamos usando um dos velhos padrões: clima, notícias e trabalho.

A solução é na verdade criar o hábito de descobrir o que a outra pessoa valoriza. Você pode se conectar com qualquer pessoa, se você souber o que é importante para ela, e se você der a ela uma oportunidade de falar sobre isso. Apenas pergunte sobre seu barco/filho/viagem pro México/motocicleta nova/clube de squash/gato/casa sustentável/geleia feita em casa.

As pessoas vão se sentir muito gratas por terem uma chance de falar de seus assuntos preferidos. Elas vão se lembrar da conversa, e elas certamente se lembrarão de você. E isso é porque você as deu um grande presente: você as deu a chance de serem elas mesmas com você. Você as resgatou da lenta agonia de uma conversa sobre trabalho ou clima, e você deixou que elas se sentissem bem por serem quem são. Não sobrestime a profundidade do efeito que isto pode ter em uma pessoa. Você pode ser a melhor parte de uma festa para muita gente.

Não importa se você não está interessado no assunto. Apenas se torne interessado no interesse que a outra pessoa tem pelo assunto. Todos sabemos como é estar em nosso elemento, quando se trata de assunto. Ajude-os a chegar lá. Uma vez que o entusiasmo começa a fluir, normalmente existe tanta abertura e entendimento que se torna fácil trabalhar com qualquer assunto que se queira. Então você pode falar sobre o que te interessa, se você quiser.

Quando você está numa conversa com alguém, (ou melhor ainda, quando você está apenas ouvindo uma conversa) veja se você consegue descobrir sobre o que realmente eles realmente querem falar. Todo mundo tem um assunto preferido que os anima. O que faz com que seus olhos se iluminem? Uma dica rápida: pais adoram falar de seus filhos. E eles ficam muito impressionados quando você se lembra de qual esporte eles praticam ou qual universidade eles frequentam.

Não é uma idéia tão ruim apenas se sentar e fazer uma lista de amigos e conhecidos, e para cada um, algumas coisas sobre que você sabe que eles gostam de conversar. Então você conseguiu: uma lista de temas para iniciar conversas em que você pode se meter. Se você não conseguir pensar em nada, lembre-se de tentar descobrir na próxima vez que falar com eles.

Agora, eu não estou sugerindo que você crie pastas e gráficos de pizza sobre o que as pessoas de sua vida estão interessadas, mas certamente existe algo a ser dito sobre estar atento ao que é importante para os outros. Quando estamos indo para algum tipo de encontro, e você sabe que certas pessoas vão estar lá, você pode pensar em um ou dois assuntos em que as pessoas podem se interessar? De novo, não é para se tornar muito stalker, mas o Facebook pode ser um grande recurso para isto se elas te adicionaram como amigo.

De qualquer forma, em geral evite perguntar sobre o trabalho da outra pessoa. É simplesmente fácil demais, e quase sempre garante uma conversa sem graça. Eles vão se lembrar do encontro com você como chato e típico, e esse é o tipo de emoção com que vão te associar.

Se você se sentar e fizer um brainstorm de tudo com que as pessoas em sua vida se importam, você vai perceber que existem pessoas que você realmente não conhece. Você pode saber como elas ganham a vida, mas você não sabe o que as faz sorrir, você realmente não as conhece. Então descubra.

Estou longe de ser um conversador brilhante, mas não sinto mais medo. Levou um certo esforço para me sentir confortável, e ainda sinto que não estou tão bem quanto gostaria em termos de começar e dirigir uma conversa, mas sinto que entendi qual a parte mais importante: aprender o que deixa as outras pessoas animadas, e dar a elas a chance de se animar sempre que falam com você.

Então, da próxima vez que você estiver esperando que os três patetas te salvem, pergunte-se “o que deixa esta pessoa animada”. Se você não sabe, então você sabe o que perguntar.

Fonte

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Duas leituras altamente recomendáveis sobre o assunto:

Como fazer amigos e influenciar pessoas

A Mágica de Pensar Grande – Resenha