As pessoas normalmente têm um senso de valor próprio muito baixo.

Se arrastando no chão.

Às vezes, enterrado.

Este senso de valor próprio é o que chamamos normalmente por autoestima.

Reforçando: A autoestima da maioria das pessoas é MUITO baixa.

Elas não entendem que para resolver isso, precisam construir a si mesmas. Estudando e desenvolvendo habilidades e competências, profissionais, emocionais e sociais.

Entendem menos ainda que isso leva tempo.

Mas uma parte delas entende. Então buscam por esse senso de importância através de várias atitudes, tais como atos de generosidade e caridade, atos de força e heroísmo, através da exibição de cultura e inteligência ou através da provocação do riso e do humor.

Todo mundo tenta ser (e parecer) importante de alguma forma.

Isso é perfeitamente natural e válido quando é realizado através do desenvolvimento e expressão de talentos próprios, apesar de gente exibida demais sempre dar aquela vergonhinha a quem basta-se a si mesmo.

Eu sou ela e ela sou eu

Eu sou ela e ela sou eu

Outras, na ansiedade de se sentirem valorizadas e estimadas, procuram se agarrar nas mais diversas formas, sempre externas, que lhe conferem alguma importância diante do grupo.

Porque para ela, o que sente por si mesma está referenciado pelo que o grupo pensa dela.

Casas bonitas, carros, viagens, restaurantes e até mesmo posições sociais, etc, costumam ser essas muletas existenciais que lhes confere alguma referência de valor quanto a sua identidade.

Por fim, há quem se agarre a relacionamentos para buscarem e expressarem esta identidade.

A autoestima dessa gente está atrelada ao status que alguém de certo prestígio social confere a ela ao lhe aceitar e assumir publicamente.

Meu amor me representa

É como se dissessem silenciosamente ao desfilarem com seus pares: Olha como eu presto pra alguma coisa, não sou de se jogar fora. Como se quem estivesse sozinho não valesse nada porque ninguém quis, o que é uma visão bastante estúpida.

Ser escolhido(a) por esta pessoa, ganhando com isso preferência e prioridade é o auge de quem baseia seu senso de valor próprio nas atenções exclusivas do outro.

Não me refiro a esta situação de modo pejorativo. Isso é o que mais acontece e é perfeitamente normal, mas é também a causa de tanto sofrimento quando as coisas não dão certo. Talvez o erro se encontre em quem pula de relacionamento em relacionamento apenas para não ficar sozinho, porque necessita muito dessa validação alheia.

Acredito que a verdadeira autoestima reside no saber viver acompanhado e no saber viver sozinho, e às vezes saber viver sozinho mesmo estando acompanhado, o que acaba nos tornando pessoas mais fortes e portanto, mais completas.

Por amor?

Neste sentido, é bom sempre estarmos atentos ao porquê de nosso parceiro estar conosco. Podemos estar nos iludindo crentes de que ele está conosco por amor, já que suporta tantas características difíceis que nós possamos ter. Triste ilusão…

Há grande chance do(a) fulano(a) estar junto não porque gosta. Nem porque lhe ama.

É porque não consegue nada melhor mesmo.

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O título é um trocadilho com um verso da música acima: Sonhos que podemos ter.