Insegurança

Insegurança

De repente, após a publicação destes dois textos, sobre mau-olhado e sobre a validação que uma autoridade intelectual oferece a outra obra, me dei conta que o grande fator que determina nossa infelicidade e nosso insucesso se chama…

INSEGURANÇA.

E a maioria de nós passa a maior parte do tempo insegura de si.

Eu diria que a insegurança psicológica é praticamente um caso de saúde (mental) pública.

Mas como entender e resolver isso?

O que é insegurança emocional?

Segundo a wikipedia,

Insegurança é um sentimento de mal-estar geral ou nervosismo que pode ser desencadeado pela percepção, de alguma forma vulnerável, de si mesmo, ou um senso de vulnerabilidade ou instabilidade que ameaça a própria auto-imagem ou ego.

[…]

Insegurança pode ajudar a causar timidez, paranoia e retraimento social, ou alternativamente pode encorajar comportamentos compensatórios tais como arrogância, agressão ou bullying em alguns casos.

[…]

Como a insegurança pode ser angustiante e parecer ameaçadora à psiquê, ela geralmente pode ser acompanhada por um tipo de personalidade controladora ou esquiva, como mecanismos psicológicos de defesa.

Podemos estar inseguros por vários e vários motivos.

Nossa insegurança surge quando a opinião que temos sobre nós mesmos torna-se negativa. E a opinião que temos de nós mesmos quase sempre deriva da opinião dos outros a nosso respeito, ou melhor, da opinião que PENSAMOS que os outros têm a nosso respeito, já que muito raramente alguém expressa claramente o que pensa de nós. E quando expressa, por educação, é quase sempre positiva. Infelizmente, não costumamos acreditar :(

Pode ocorrer também de chegarmos a uma opinião negativa a nosso respeito por nos avaliarmos com base nos critérios, isto é, nos valores, dos outros. Quando você define seus próprios valores, e segue fiel a eles, e se avalia de acordo com estes valores, sua opinião sobre si mesmo resultará certamente mais autêntica e mais favorável a si mesmo(a).

Essa opinião negativa de si mesmo(a) gera uma incerteza e uma ansiedade por estarmos eventualmente inadequados, de não estarmos à altura das expectativas dos outros, de não sermos aceitos, valorizados, estimados, por fim, amados.

Esse misto de incerteza e ansiedade sobre nosso valor pessoal se chama insegurança.

Fazemos isso porque a solidão é apavorante para a maioria das pessoas. O ser humano precisa se sentir importante e, por isso, a opinião dos outros vira referência do quanto é amado. A partir daí, infelizmente, muita gente faz o que não quer só para agradar e se sentir aceito. Roberto Shinyashiki, psiquiatra

Num primeiro momento, há diversas atitudes práticas que podem nos fortalecer. São ações práticas que visam o nosso auto-desenvolvimento. Quando nos desenvolvemos de forma a nos tornarmos cada vez mais completos, fortalecemos nossas competências e passamos a nos ver mais e mais com bons olhos. Faz sentido, na medida em que uma noção de que estamos mais preparados para a vida tende a nos fazer sentir mais seguros.

De modo geral, o seu bem-estar íntimo é você que constrói ao longo da vida. Às vezes temos a impressão que algumas pessoas já nascem com essa paz interior. Não sei se isso acontece. Acho que também elas viveram suas guerras antes de chegarem à paz. Não temos como saber. Portanto, sugiro que não pensemos nisso, que não pensemos na trajetória dos outros. Se alcançaram a paz interna na forma de segurança e autoestima, QUE BOM PRA ELES.

Pois a verdade é que você tem muito trabalho a ser feito com você mesmo. Escolher algumas das dicas de auto-desenvolvimento abaixo, para seguir, pode ser um bom começo. Dar-se tempo para alcançar essa evolução pessoal também é fundamental. Algumas coisas levam tempo. Esqueça que os outros já chegaram lá, o tempo e as lutas deles foram outros. Você tem as suas e é delas que deve cuidar agora.

Porque quando você se desenvolve através de estudos, e melhorando seus hábitos, e passa a se conhecer bem, os outros podem emitir as opiniões mais contraditórias sobre si, mas você não se deixa impressionar, nem iludir, pois sabe da sua realidade.

Dicas práticas contra a insegurança

Primeiro de tudo: Se há algo em sua vida que lhe incomoda, e que não tem solução, tente exercitar a aceitação. Escrevi muito sobre esse tema aqui: Textos sobre aceitação.

Aceitar é combinar consigo mesmo que evitará dispensar energia em cima de coisas sobre as quais não tem controle. Marisa de Abreu, psicóloga

Por outro lado, se você reconhece em si mesmo(a) carências e deficiências que podem ser preenchidas, então não tem jeito, vai ter que arregaçar as mangas, porque mágica, MESMO, só em filmes.

As dicas abaixo não são minhas, fui garimpando em alguns sites e, como foram mescladas, optei por não indicar autoria específica, até porque alguns sites não a indicavam. São sugestões de por onde começar, e são bastante práticas. Para alguns assuntos, você já deve se sobressair, então, ignore-os. Para outros, certamente você vai notar carências em si. Escolha um por vez, e corra atrás de seu desenvolvimento e incorporação na sua rotina e na sua vida.

Saúde e cuidados pessoais

  • Cuide da saúde. Veja como se sentirá mais positivo(a) em relação a si mesmo(a). Abandone o junk food e troque os  pastéis e coxinhas por alimentos saudáveis, como vegetais e grelhados.
  • Mexa-se. Alongue-se. Praticar atividades físicas ajuda a ter bons sentimentos em relação ao próprio corpo e melhora sua percepção de si mesmo(a), aumentando a confiança. Caminhe mais.
  • Medite. Pessoas que meditam até cinco dias por semana tem maior autoaceitação.
  • Descanse a pele. Dormir é essencial para reduzir a inflamação da pele e reduzir os hormônios do estresse que te deixam com sinais do tempo.
  • Controle a sudorese e seus odores. A transpiração excessiva atrapalha a vida de quem padece do mal, trazendo insegurança. Lembre-se de que o sorriso é seu cartão de visitas – e deve estar impecável!  Por isso, capriche nos cuidados com seus dentes. Mantenha a boca saudável, dentes brancos e hálito refrescante.
  • Vista-se de modo a tornar-se confiante. A maneira como nos vestimos pode afetar diretamente o nosso comportamento. Seja a maneira como você mesmo se enxerga ou a maneira como os outros olham para você. Isso não significa usar apenas roupas caras, mas escolher aquelas que servem perfeitamente em você, que estão em boas condições e que são apropriadas para a ocasião. Significa também se desfazer daquelas peças as quais você realmente não gosta. Cuide-se! Para se sentir confiante, é essencial que você se goste. Invista em um lindo corte de cabelo, uma roupa nova, e capriche com sua imagem.

Profissional e organização

  • Pare de procrastinar. Se algo te assusta, comece a fazer algo menor que te leve ao objetivo final, mas deixe de adiá-lo. Quando completar a tarefa, ela parecerá menos desafiadora. E pare de enrolar: pensar demais se deve ou não fazer algo te paralisa. Tomar uma grande decisão faz você se sentir mais forte e mais capaz.
  • Aprenda algo. Descobrir como fazer algo novo, seja uma língua ou cozinhar ajudam a trazer confiança. Aprenda sempre, quanto mais conhecimento você adquirir, mais confiante você será. Conhecimento é sinônimo de poder e quanto mais poderoso você se sente, mais confiança tem dentro de si.
  • Limpe a carteira e suas gavetas. Uma vez por semana ou por mês, tire os papéis inúteis que estão na carteira, os recibos do cartão e os cartões de visitas do acessório. Administrar algo pequeno vai ajudar, aos poucos, a adquirir o controle da própria vida. E a sensação de “organização” vai lhe fazer muito bem.
  • Corra atrás apenas dos desejos “realizáveis”. Perder tempo com desejos impossíveis como “queria ter nascido rica”, ou praticamente impossíveis como “quando eu ganhar na mega-sena” consome o seu tempo, sua energia mental e não leva a lugar algum.

Emocional e pessoal

  • Não seja tão vaidoso(a). Se afaste do espelho. Pessoas, em especial mulheres, que passam muito tempo preocupadas com a aparência são menos felizes. Capriche no visual, mas sem deixar que este seja a maior preocupação da sua vida.
  • Lembre-se das coisas boas. Pense no passado e escreva sobre as coisas boas que te disseram, isso ajuda a reduzir a insegurança sobre si. Acentue o que tem de positivo: não se permita pensar que não é boa para fazer algo. Acredite em sua capacidade para crescer como pessoa, e se esforce para aprender algo, notando como é agradável melhorar a si mesmo(a).
  • Supere as falhas. Cometer erros é inevitável, mas é preciso aceitar que eles acontecem ocasionalmente. E pare de se desculpar. As pessoas que se desculpam demais são inseguras. Você não deve nada aos outros. Não surte com seus erros, as pessoas perdoam mais do que imaginamos. A reação ao erro é muito pior na sua mente do que na das outras pessoas. Evite entregar-se à angústia. Em vez de pensar “Por que fiz tanta besteira?”, pergunte-se: “O que aprendi com as minhas experiências?”, “Como posso aproveitar essa lição para fortalecer a minha autoconfiança?”.
  • Tenha objetivos realistas. Suas aspirações devem ser plausíveis de serem realizadas. Se a perfeição for uma meta, não terá como atingi-la e acabará se frustrando.
  • Premie-se. Se permita alguns presentinhos sempre que atingir um objetivo. Faça uma lista do que fez e do que precisa ser feito e premie-se constantemente. Faça algo que deixe você feliz, independentemente de ter uma companhia ou não. Vá ao cinema, ao massagista… Aprenda a ser seu melhor amigo e trate-se com carinho e respeito.
  • Doe suas roupas e outros pertences que perderam a utilidade. Faça algo bacana com aquilo que não te serve mais e vai ver como vai se sentir melhor.
  • Faça trabalho voluntário. Diversos estudos sugerem que as pessoas se sentem melhores consigo mesmas após se juntarem a trabalhos voluntários.
  • Aprecie o que a vida dá a você, não fique ressentido pelo que ela não dá. Seja grata. Escreva bilhetes e emails de agradecimento aos colegas por atitudes simples, como um almoço ou um café juntos e se sentirá mais feliz em relação a si. Não compare – Pare de medir o seu sucesso baseando-se em outras pessoas. O que você vê sobre elas não é 100% real. Fazer comparações é uma maneira distorcida e irreal de medir o seu sucesso.
  • Evite mal entendidos. Os outros não têm bola de cristal. Esclareça os seus sentimentos, sempre. É a melhor forma de ser correspondida. Extravase os sentimentos em vez de sufocá-los. Quando precisar chorar, chore de soluçar e, quando quiser rir, ria de perder o fôlego.
  • Qualquer conquista traz em si uma possibilidade de rejeição. Aprenda com seus erros e aprimore-se sempre! Uma forma de lidar com a rejeição é saber que existem milhares de homens e mulheres no mundo e você não precisa se martirizar caso com uma pessoa não tenha dado certo!
  • Converse com as pessoas. Quando se encontrar em uma situação social, ao invés de ficar apenas ao redor daqueles com quem se sente confortável, procure iniciar uma conversa com quem você ainda não conhece bem. Treinar a abordagem a novas pessoas vai fazer com que você se sinta mais confiante. Conviva com seus amigos! Cerque-se de pessoas que lhe querem bem. Isso pode influenciar no funcionamento do seu corpo.
  • Participe de todo tipo de atividade. Ofereça-se como voluntário para participar de tarefas e projetos que não se encaixam exatamente na sua área. Dessa maneira você aprenderá a fazer mais do que “o básico” e verá que pode ser útil em qualquer área, desde que esteja interessado nisso. Pratique o SIM e viva novas experiências. Em vez de dizer não para aquele passeio com a avó ou negar sair com aquele garoto meio estranho, aproveite tudo o que aquela experiência pode trazer de positivo para a sua vida.

Pratique sem parar! Identifique as habilidades que você precisa desenvolver, e os hábitos que precisa mudar, e pratique incansavelmente. Quanto mais você praticar mais confiante se tornará. Não desanime e nem acredite que não é a pessoa certa para isso. Qualquer tipo de habilidade pode ser desenvolvido com muito treino e dedicação.

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A segunda parte deste texto foi transferida para um novo artigo. Clique e leia:

(In)segurança emocional e a figura do “outro”.