Política e hipocrisia
03 de outubro de 2008

Este período inspira um texto sobre política. Nâo sou político nem tenho aspiração alguma por algo na área. Mas sou um grande admirador da figura do político. Quem não aceita a realidade como ela é argumenta que a política é suja, que política e corrupção andam de mãos dadas, e outras coisas semelhantes. Mas o fato é que o político é uma das pessoas mais bem preparadas para lidar com o ser humano. O eminente político é o sujeito inteligente, astuto, articulado, objetivo, versado em várias áreas do conhecimento. Dizer que ele dá nó até em pingo dágua não é exagero, e se político eu fosse, tomaria uma afirmação dessas como um elogio.
po.lí.ti.ca
sf.
1 Arte e ciência da organização e administração de um Estado, uma sociedade, uma instituição etc.
2 O conjunto de fatos, processos, conceitos, instituições etc. que envolvem e regem a sociedade, o Estado e suas instituições, e o relacionamento entre eles.
3 O gerenciamento de uma dessas instituições ou do conjunto delas.
4 O conjunto de conceitos e a prática que orientam uma determinada forma, pré-escolhida, desse gerenciamento : O banco adotou uma nova política para empréstimos.
5 Fig. Habilidade para negociar e harmonizar interesses diferentes : Será preciso uma boa dose de política para conciliar as partes.
6 Habilidade de conduzir ou influenciar o governo pela organização partidária, opinião pública, conquista do eleitorado etc.
7 Atuação na disputa de cargos de governo ou nas relações partidárias.
8 Conjunto de princípios e opiniões de uma pessoa que constituem uma posição ideológica.
9 Fig. Esperteza, astúcia para obter alguma coisa : Conduziu o negócio com muita política.[F.: Do lat. tard. politica, do gr. politiké (téchne).]
Dicionário Aulete Digital
Eu, mais uma vez pretensiosamente, acrescentaria às definições acima que a política é a arte de usar a mentira e a verdade sempre em favor próprio. É o que eu tenho visto ultimamente na reta final da corrida eleitoral em minha cidade. E que certamente se repete Brasil afora. Os fatos estão aí e cada candidato usa esses fatos de acordo com suas conveniências. É como a metáfora do copo com água até a metade. Uns diriam que está meio cheio, outros que está meio vazio. E o povo no fim das contas sabe de muito pouco. E como sabe pouco, tende a acreditar em tudo que lhe colocado a frente sem ter lá muito tempo e muito menos hábito de questionar.
O que vejo é que o povo ainda tem a visão barata de que para ser levado a sério, qualquer um, incluindo aí os políticos, deve assumir uma postura supostamente íntegra. Ou seja, para ser levado a sério, você tem que ser, ou passar a imagem de ser bonzinho, certinho, daquele tipo de cidadão sempre feliz que não faria mal a uma mosca. Somos estimulados pela mídia romantizada a acreditarmos que o jeito certo é o jeito do final feliz, da vitória certa do herói, do conto de fadas perfeitinho. Mas a vida não é assim. As vezes penso que toda escola deveria ter uma disciplina denominada CINISMO, na qual seria ensinada às crianças a verdadeira qualidade da vida humana, que não é necessariamente ruim, mas que também não é uma maravilha. Absurda essa idéia? E o fato de o povo passar a vida toda entendendo os fatos de forma distorcida, não é absurdo maior?
É na política e no jogo do poder onde os fatos se desenrolam na sua mais pura realidade. Mas essa realidade é ocultada a todo momento porque a sociedade espera que seus homens públicos sejam antes de mais nada os baluartes da moral e dos bons constumes. E como diz o ditado, o que os olhos não vêem, (e os ouvidos não escutam) o coração não sente. E assim segue a sociedade acreditando em Papai Noel. A partir de então, a cada grampo telefônico que cai em domínio da imprensa seguem-se as exclamações: Oh, que escândalo!
Evidentemente há situações em que grampos e escutas revelam de fato crimes abomináveis, mas em outros casos, revelam apenas a realidade das coisas. O político, como indivíduo pode ter e seguir lá seus ditames morais. Mas quando eu vejo nosso vice-presidente José de Alencar falar tão bem do presidente Lula no Canal Livre da Band, diante de expoentes do jornalismo brasileiro, concluo de duas uma: Ou ele foi absolutamente honesto e disse o que diria diante de Deus sem o menor pudor, ou foi absolutamente inteligente e sagaz. Ou seja, fazendo ele parte do governo, querendo imortalizar seu nome junto à História do país, diante de renomados jornalistas, num momento de audiência qualificada, criticaria o Lula em algum ponto? Não né!!!
Por interesses políticos, vale qualquer coisa. E quando digo interesses políticos, digo PODER. Isso me faz lembrar a cena do filme O Poderoso Chefão III, na qual Michel Corleone se confessa emocionado, ao Bispo. Logo mais, em conversa com sua irmã, ele diz: “…ele (o Bispo) pode ser útil para nós”. Quando o poder está em jogo, definitivamente não se dá ponto sem nó.
Um mal necessário
Com toda a má reputação que a política, de uma forma geral, adquiriu nesse país, ainda assim, é um dos poucos senão o único caminho que podemos escolher e trilhar para MUDAR ALGUMA COISA DE FATO na sociedade. Poucas ações tem um impacto tão amplo quanto as ações motivadas por vontade política. É na política acima de tudo que está a transformação social efetiva. Isso vale tanto para os agentes políticos em si, do executivo e legislativo, que têm nas mãos o poder real, como para nós, cidadãos, que podemos através do voto, fazer valer nossa vontade.
Autoria de Ronaud Pereira / Foto do Ministério do Turismo
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