O maior problema que ocorre quando se conhece o poder da fé, seja através das religiões ou de livros que tratam do funcionamento da mente, é a pessoa assumir uma postura passiva e esperar que as coisas caiam do céu, seja por uma benção divina ou por consequência da lei da atração universal. Esta postura nada mais é do que uma releitura de posturas espirituais antigas que sugeriam o “abandono a Deus”.

Há um ditado popular, o qual pensava eu ter origem na Bíblia, mas que agora, após alguma pesquisa, descobri ser só isso mesmo, um ditado popular, mas nem por isso menos válido:

Ajuda-te que eu te ajudarei.

Sabedoria

Sabedoria

Pois pensemos de uma forma minimamente lógica: Se estamos num mundo físico, seja qual for a suprema missão de estarmos aqui, será fisicamente que teremos de agir. Se Deus existisse em sua figura renascentista, um senhor de barbas brancas vivendo sobre as nuvens, tenha certeza, não gostaria de gente omissa e passiva. Essa é uma das maiores missões de todo professor. Fazer com que os alunos não confundam o mau com atividade e o bem com passividade. Além do mais, se há alguma coisa além da morte e ainda não nos foi dado conhecer, é porque é aqui que devemos concentrar nossas atenções. Sem contar que de nada adianta especularmos se há vida após a morte se nem esta vida aproveitamos ao máximo.

Feliz de quem espreme desta vida até a última gota.

É preciso dar o primeiro passo

Procuro mostrar isso com frequência por aqui. É preciso darmos o primeiro passo. Neste link há um texto magnífico tratando dessas coisas do primeiro passo em algum projeto.

Porém a dúvida pode permanecer: O que é melhor, agir independentemente, crendo-se causador de “tudo”, ou abandonar-se à vida, ao melhor estilo Zeca Pagodinho (deixa a vida me levar, vida leva, eu) ??? A resposta me parece perfeita quando assumimos uma postura atenta, sugerida pela Oração da Serenidade, muito popular atualmente, principalmente em sua primeira e mais reveladora parte, abaixo em negrito. A Oração da Serenidade foi escrita pelo teólogo protestante Reinhold Niebuhr que viveu de 1892 até 1971 e trabalhava no Union Theological Seminary, nos Estados Unidos da América.

Oração da Serenidade

Concedei-me, Senhor
A serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso modificar;
Coragem para modificar aquelas que posso;
e Sabedoria para conhecer a diferença entre elas.
Vivendo um dia de cada vez; Desfrutando um momento de cada vez; Aceitando que as dificuldades constituem o caminho à paz;
Aceitando, como Ele aceitou, este mundo tal como é, e não como Ele queria que fosse; Confiando que
Ele acertará tudo contanto que eu me entregue à Sua vontade; Para que eu seja razoavelmente feliz nesta vida e supremamente feliz com Ele eternamente na próxima.
Amém.

Outra versão da Oração da Serenidade

Concede-me, Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para modificar as que eu posso e sabedoria para distinguir uma da outra – vivendo um dia de cada vez, desfrutando um momento de cada vez, aceitando as dificuldades como um caminho para alcançar a paz, considerando o mundo pecador como ele é, e não como gostaria que ele fosse, confiando em Deus para endireitar todas as coisas para que eu possa ser moderadamente feliz nesta vida e sumamente feliz contigo na eternidade. Amém.

E uma outra

Deus, dai-me a serenidade para aceitar as coisas que eu não posso mudar, coragem para mudar as coisas que eu possa, e sabedoria para que eu saiba a diferença: vivendo um dia a cada vez, aproveitando um momento de cada vez; aceitando as dificuldades como um caminho para a paz; indagando, como fez Jesus, a este mundo pecador, não como eu teria feito; aceitando que Você tornaria tudo correto se eu me submetesse à sua vontade para que eu seja razoavelmente feliz nesta vida e extremamente feliz com você para sempre no futuro. Amém.

Interessante e inspirador, não?

Bem como deve ser a vida, equilibrada, nem mais, nem menos. Ou seja, nem abandono total, mergulhando-se em total inatividade e espera, e nem auto-suficiência desmedida e, como bem sabemos, ilusória, porque nenhum homem é uma ilha.