Nos últimos meses, conversando com algumas pessoas e observando os desabafos de outras, percebi de um modo bastante acentuado como a figura dos pais (ou sua ausência) e o ambiente familiar são básicos e fundamentais no desenvolvimento das crianças e, por conseguinte, dos adultos.

Uma má condução na criação, educação e desenvolvimento da criança resultará certamente num adulto inseguro e passivo que por esta vida apenas passará, sem deixar maiores marcas.

Uma criação calcada sobre maus tratos, violência ou ausência, resultará certamente em um adulto problemático e com sérios transtornos psico-sociais.

Enquanto que uma criação envolvida por presença, cuidados e amor, na forma de atenção e manifestações físicas de afeto (abraços, beijos etc), resultará certamente em um adulto mais seguro e certo que está no mundo para vivê-lo e transformá-lo.

Semente plantada, fruto colhido

Quer saber o que você é? Olhe para a vida que você tem. A vida é seu espelho.

Cá entre nós, sabemos que a culpa das coisas ruins não é necessariamente dos pais. Fazemos parte de uma cadeia de seres que ensinam uns aos outros, o tempo todo, a importância do amor, quase sempre através da ausência dele.

Os pais colherão o que plantarem agora, assim como seus filhos já estão colhendo o que plantaram. O conceito de reencarnação e vidas sucessivas explica esta visão. E reconheço como é difícil e duro ver as coisas assim, e que muita gente não aceita e me tem como um sujeito meio doido (problema deles, para mim, ser doido é insistir, insanamente, em continuar vendo a existência como se só passássemos por este planeta uma única vez).

Mas a verdade é que a vida – ou nossas vidas sucessivas – são chances constantes para que possamos decidir fazer a coisa certa. E fica mais fácil saber qual é a atitude certa a se tomar quando provamos do amargor das atitudes erradas. A grande quantia de pais que prometem dar a seus filhos o que não tiveram quando eram crianças – em termos materiais e afetivos – demonstra a realidade até um pouco hilária da situação. Prometem aos seus filhos a vida que não tiveram com um certo ressentimento da vida, dos pais e de Deus por terem tido uma infância tão limitada, quando não percebem que a infância que tiveram é a que dariam aos seus filhos se tivessem no lugar de seus pais; é a infância que ofereceram aos seus filhos em vidas passadas; é, enfim, a infância que lhes mostrará a postura correta com a qual cuidar de outro ser humano, que é a postura amorosa.

Como usar a reencarnação a nosso favor?

Por que Deus fica em silêncio?

É preciso dar, para receber

Universo moral

Coração amoroso

É!

É!

Por isso tudo, não é difícil enxergar que o amor em sua manifestação completa – através da presença, do companheirismo, de cuidados, atenção e afeto físico – entre pais e filhos é o único caminho de passarmos a plantar algo de bom, que possamos colher no futuro.

Mas o amor não é só a melhor solução para a criação dos filhos. É a solução para tudo na vida. Por mais óbvio e clichê que isso seja, é algo que precisa ser dito, e redito, e repetido à exaustão, até as pessoas entenderem a profundidade do significado dessas asserções.

A cada vez que terminamos um relacionamento amoroso ou familiar com ódio, raiva e mágoa, esse sentimento fica plantado em nós, como aquilo que costumo muitas vezes aqui denominar de carma. O carma nada mais é do que uma questão emocional que ficou em aberto, para ser resolvida. Daí você já pode ter a dimensão de quantas questões você tem pendentes no coração. Depois não sabe porque a vida não vai pra frente ;)

A única certeza é que essas questões VÃO TER QUE SER RESOLVIDAS, mais cedo ou mais tarde.

Algumas pessoas possuem problemas tão graves, e desvios emocionais tão acentuados, que somente uma terapia vai ajuda-las a recuperarem-se de seus problemas. Algumas apelam para toda possibilidade terapêutica, como regressões hipnóticas e até mesmo à regressão à vidas passadas.

Mas de modo geral, a solução e o caminho a ser adotado diante de todo e qualquer problema que estejamos passando, principalmente dos conflitos emocionais com outras pessoas, passam pelas atitudes amorosas e generosas, de atenção, acolhimento, aceitação e desapego. Quem afirma isso é Brian Weiss, em seu livro Milagres Acontecem, resenhado aqui há algum tempo. Nele o autor usa o termo coração amoroso para descrever a postura adequada para o enfrentamento e superação das situações difíceis da vida.

Por isso o perdão é tão importante, ele nos leva a aceitarmos as pessoas e a realidade como são, e nos ajudam a nos desprendermos de obsessões e obstinações caprichosas que nos sufocam, já que não temos o poder de mantê-las do jeito que queremos e consideramos ideal, pelo resto da vida.

Lao-Tsé sugeria: Reaja com inteligência mesmo a um tratamento não inteligente. Aqui podemos muito bem trocar o termo inteligência por amor

Que consigamos cada vez mais, reagir com amor, mesmo diante de tratamentos não amorosos.

Claro que cada caso é um caso. Em muitos momentos – principalmente quando é possível e há pouco envolvimento emocional – mais vale devolver o troco na mesma moeda. Talvez não ferindo, mas demonstrando ao outro como foi grosseiro ou desagradável, o que já é por si uma atitude amorosa. Mas para os momentos mais delicados, com as pessoas que verdadeiramente amamos, o melhor é de fato colocarmos esse amor todo em prática e não machucá-los.

Sempre será o mais certo a se fazer.