Meio amargo isso aqui. Pode pôr açúcar?

Meio amargo isso aqui. Pode pôr açúcar?

De vez em quando, eu preciso comprar uns vinhos para levar para algum encontro de amigos.

Esses amigos são um pouco mais “sofisticados” que eu (o que não é difícil) e costumam beber vinhos secos, de uvas específicas, etc. Mas até bem pouco tempo atrás, eu achava que vinhos se dividiam entre tintos e brancos, e suaves e secos. Agora já conheço alguns tipos de uvas e seus respectivos sabores.

Tem sido interessante adquirir esse tipo de conhecimento.

Tenho até me sentido um tanto mais “sofisticado” :)

Mas sempre que vou comprar esses vinhos, acontece algo curioso.

No supermercado onde compro, sempre tem uma mocinha no setor de vinhos. Está sempre lá, na função de enóloga, para atender os clientes mais exigentes.

Quando eu vou até lá, para comprar os vinhos, fico algum tempo procurando basicamente por bons vinhos com bons preços. E ela sempre vem me perguntar se preciso de ajuda, e começa a oferecer este e aquele vinho, daquela uva e daquela safra.

Então eu, que não sou de me fazer, logo digo: “Moça, eu não sou entendedor de vinho, tá? Tô aqui comprando umas garrafas por compromisso. Eu precisava de algo bom e barato.”

A cara de frustração da moça é nítida. Tipo assim, ela não tá preparada pra atender leigos. E chego a supor que boa parte dos clientes que ali chegam são leigos como eu, mas se fazem de entendedores, demonstram interesse, etc.

"Dinheiro eu tenho, só me faltame o gramour"

“Dinheiro eu tenho, só me faltame o gramour”

Acho até que por vergonha. As pessoas têm vergonha de dizer que não sabem de algo. Fingem conhecer, para fingirem-se mais importantes, ou mais sofisticadas. E certamente, para não parecerem bobas pagando caro pelo que mal conhecem, por um rótulo bonito, para impressionar amigos.

Eu não tenho essa vergonha. Eu não sei de nada. Até do que eu acho que sei, vivo encontrando o que não sabia.

Mas já fui pelo caminho inverso. Já me perguntaram se eu conhecia tal e tal coisa.

Eu disse que sim. E torci pro sujeito não se aprofundar e não me perguntar mais nada sobre o assunto.

Pra eu não fazer o papel de bobo, sobre o qual já prefiro precaver a mocinha do departamento de vinhos do supermercado.