Não olha pra mim

Não olha pra mim

As pessoas tímidas normalmente odeiam conversas fiadas.

Odeiam conhecer novas pessoas e bater papo furado sobre irrelevâncias quaisquer.

Conversas sobre o tempo e outras amenidades lhes é o horror.

Pensam que seria melhor que as pessoas só falassem sobre assuntos significativos.

Não entendem como os outros conseguem ficar em um bar por três horas apenas bebendo e falando sobre bobeiras.

Mas normalmente quem gosta de conversa fiada é capaz de se conectar com as pessoas em um nível muito mais profundo.

Porque não estão ansiosas. O que faz os tímidos pensarem tão mal de conversas fiadas é que são ansiosos e muito objetivos.

Quando você está ansioso é difícil gostar de conversas em si.Você quer chegar logo no resultado final e resolver o assunto pelo qual você está falando com a pessoa em questão.

Quando você faz o primeiro esforço para se tornar sociável, tudo pode parecer falação fútil. E é.

Na maior parte do tempo, nós pensamos que o que estamos comunicando é importante quando na verdade só o fato de estarmos nos comunicando já é por si muito importante.

A maior parte da nossa comunicação é não verbal. Estamos comunicando um caminhão de coisas subentendidas em nossas conversas que, por serem não verbais, nem percebemos.

Mas os outros percebem, mesmo sem saberem.

Nosso tom de voz, nossa postura e nossos gestos, nosso contato visual, tudo comunica a forma como nos sentimos. Também comunica a forma como nos sentimos sobre a outra pessoa e a forma como nos sentimos sobre a própria interação.

Nós também comunicamos algo pela disposição para a conversa fiada. Nós estamos comunicando que estamos confortáveis em uma conversa, que não temos pressa de acabar com ela. Estamos mostrando que nós gostamos de falar com a outra pessoa. Mostramos, sobretudo, que gostamos DA(s) pessoa(s).

Isso faz elas se sentirem melhor, aceitas e bem recebidas. E quando você faz as pessoas se sentirem bem, elas gostam de você.

Conversa fiada é muito similar a contato físico. É insignificante para o senso lógico, mas cada toque, cada aperto de mão ou abraço expressa segurança, uma carga emocional, algo que palavras não podem expressar.

Por sua própria definição nós não precisamos de conversa fiada. E as conversas casuais não são importantes, ao menos não os seus assuntos superficiais. As conversas fiadas normalmente são pretextos para as pessoas ficarem juntas. 

Ficar confortável com papo furado traz muitas vantagens. Até mesmo quando se está falando sobre o clima ou que você queria que fosse sexta-feira, você comunica muitas coisas.

Você pode usar a previsão do tempo para transmitir confiança na sua voz, ou dar um sorriso caloroso e mostrar o quanto você está confortável. Assim mostra que você não precisa impressioná-los com gracejos ou frases muito profundas antes deles estarem prontos.

E se você quiser pode praticar brincar de conversar fiado com as pessoas, o que ajuda a ficar confortável falando com qualquer um, em qualquer circunstância boba: elevadores, filas, lojas…

Se apenas trocarmos um “como vai você?”, já nos sentiremos satisfeitos. Gostamos disso, mesmo que eles não sorriam ou riam de volta. Mas normalmente eles respondem de alguma maneira, nem que seja com um olhar simpático.

Quase sempre respondem. No começo isso pode não acontecer. Mas ao nos tornarmos à vontade e confortáveis com isso, conseguiremos uma boa reação quase em 100% das vezes.

Se disponha a ter conversas fiadas. Quando acontecer, apenas relaxe. Não se cobre para falar coisas super significativas com todo mundo. Há momentos específicos para isso nas conversas, que podem surgir ou não.

Pratique não se importar com o resultado da conversa. Se você não obter uma reação calorosa, se parabenize por ter tomado a iniciativa.

E se você precisa dizer algo super significativo para alguém, se você tem uma grande frase para iniciar uma conversa ou um pensamento profundo, pergunte a eles, primeiramente, como eles estão. Verifique se está tudo bem com eles. Troque um pouco de papo furado. Faça isso por você, pois isso o tornará mais confiante.

Quando você for pegar seu carro com o mecânico, ao invés de apenas dizer “eu vim pegar meu carro”, primeiro diga “E aí, tudo bem?”. E quando ele te perguntar como vai você, seja sincero, comente o último fato positivo ou mesmo, negativo, que tenha lhe ocorrido.

Conforme você aprende a apreciar a si e aos outros apenas por estarem juntos, você vai perceber que os dois tem muito mais a dizer.