De 25 de julho de 2001 (publicada em 14/12/2010).

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Sem você

Sem você

Nós não temos mesmo muito a ver
Você é de gêmeos
e meu intuito é esmorecer
Apenas me envenenar
Depreciando suas virtudes
Eu acabei me orgulhando,
Invejando suas virtudes
Me sentindo tão distante
Sentindo minhas virtudes
Te vejo tão perdida
Por ti muitas vezes perdi; E me encontrei
No luar sobre o mar
Nos ventos da noite
Nas chuvas de julho
Fui apenas uma sombra
E você toda luz
Mais que um anjo dos céus
Te perdi tantas vezes
Eu sou apenas um desapontamento
Diz a lua que me acompanha
Com seu véu sobre as noites
Acompanhando e acolhendo meu ser
Nunca encontrei razões
E vives bem sem elas
Sempre busquei amores
E és rodeada por eles
Minhas palavras só imploram
A saber: Nunca disseram tudo
E tuas palavras não me ouvem
Vaidosas me encantam
Meus olhos disseram mais
E os teus foram frios como metais
Castanhos olhando longe
Só aos mais belos montes
Sabes porque os meus são azuis?
Refletem o que só tenho olhado: O mar
Seriam belos olhos dourados
Se pudesse por tempos mais te olhar
Mas com todas nossas diferenças
E sua desatenta indiferença
Nunca entendi, nem o mar me respondeu
Não foram seus olhos, nem seus longos cabelos
Nem suas mãos, nem nossos doces beijos
Perguntei a todos, até mesmo a Deus
Cheguei a duvidar do que sentia
E também a crêr que pouco valia
Mas hoje relembro seu rosto, tão sereno
No seu sorriso, tão lindo e confuso
Acredito e sei, apenas pra mim, que tem valor
Pois o que sinto por ti é mesmo amor.

Mas não nos falamos mais
E a saudade realmente dói demais […]
Eu não esperava, nem imaginava
Queria apenas acertar, queria me encontrar
Nada achei, nem mesmo um caminho
Em todo lugar, pra onde olho surges em sinais
Como tantos eu errei, mas eu tentei
Por você não mais sofrer,
Isso parecia brincadeira, e se tornou sério
Seja eu a evidência, você um mistério
O improvável encontrou fundamento
Mãos divinas nos envolvem
Seja você uma igreja, eu o bordéu
Por Deus, somos diferentes, e sempre vai ser assim
E mesmo nos amando, continuaremos longe
Nós não temos mesmo muito a ver
Até o fim de meus dias, tanto correrá
Serei céus azuis e você tempestades
Serás verdes campos e eu a seca
Não mais estarás diante dos meus olhos
Outras pessoas ocuparão seu lugar
E talvez até me esquecerei de ti
A não ser num momento qualquer
Ao me deparar com um lírio florescido
Relembrando aquela brisa fria de outono
Quando fostes os raios do sol esquentando meu rosto
E quando eu for o sol quente da primavera
Serás a ventania refrescante das chuvas
E mil palavras terás dito
E outras mil minha voz terá de bem aprender
Porque nas mãos do Pai
Tenho que, longe de ti, aprender uma ou outra lição
Tenho que, sem teus abraços, caminhar sozinho
Tenho que, sem sua voz, gritar meu caminho,
tão tortuoso, ainda sem rumo, sempre sem você

/ Ronaud Pereira /

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