De 6 de junho de 2000.

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Esses ventos têm intentos, frios e velozes
Vêm da verde direção, terra onde vivi…
Trazem em seus ruídos silenciosas vozes
Calaram quando a tempos muitos, adormeci…

Trazem consigo, pelos ares lembranças
Ramos aos campos saudando os ventos,
crespas águas recuando em danças,
ou lisos cabelos, longos e morenos, sob cantos serenos

A cor aos ares é esverdeada, escorrendo aos céus
É esperança sem fúria; protesto dos ventos
No frio impera o respeito, fossem cabelos véus
E eu em guarda ao regresso que acalento

É a tarde… Seca, loura e desolada…
Um deserto de vastidões nunca alcançadas
Conhece em solidão até damas mal-amadas
É a dor… Áspera, louca e indesejada…

Neste entardecer nuvens rosam o silêncio
Este silêncio… Desce o sol ao horizonte
E a alma dos ventos adormece em segredo
Deixando aos ares a harmonia do medo

E os traços guerreiros desses rostos verdadeiros
Suavizam à dócil face, refletindo carência pura
É a cicatriz pedindo aos gritos uma sutura
Fossem olhos dizendo sim a vivências futuras
Lisos cabelos expondo um rosto de essência ternura
Tais ventos lembrando sua ausência profunda

/ Ronaud Pereira /

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