De 31 de março de 2000.

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Grandiosa é esta perda
E audaciosa é a coragem
De procurar-te nos sonhos e vê-la
Terna e doce; alívio sob miragem

Louca, dispersa, és deslumbrada
És vertigem à minhas mãos
A salvação não mais lembrada
Da ânsia dos verdes olhos vãos

Inconformado nesta circunstância
Tão desapegada às atenções
Tão apegado aos seu dons
Sigo seu rastro a distância

Um monumento ao aconchego
Morena virtude és majestosa obra
Divina arte mostra-se em sossego
Coração frio, é a noite que vigora

E a vaidade incrustada? Vaidosa pureza?
Não é um anjo orgulhando-se em glória,
escorrerem-se loiros cabelos por nobreza
Não, amo a morena mortal que machuca-se e chora

Que me olha, me questiona, me atende…
…em concentração da dispersa face
A nativa raça cuja humildade descende
tal coração a amar com divina classe…

/ Ronaud Pereira /

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