De 25 de outubro de 2001.

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Ah, como me maltratas
E me olhas negando…
Onde estão minhas cartas
Se me consideras tanto?

Foram tantas esperanças
Por alguma atenção
Foram tantas andanças
Foram todas em vão

Teu olhar é de ignorância
Ignorou a mim, meu ser
E também minhas palavras
Que viviam a te enaltecer

Que viviam a acreditar
Nos teus gestos ambíguos
Que um dia irias me amar
Que eu seria mais que amigo

Mais que um inusitado apaixonado
Um ingênuo desorientado
Os anjos me deixam solitário
Revendo meu relicário

Tudo que escrevo,
Envolve a mim, a ti, o que sinto
Escrevo o que vejo
Vi num jardim, um jasmim, um jacinto

Nós dois… o jardim era a incerteza
Um mar revoltoso de impressões
Umas doces e outras azedas
Mas eu realmente… fui “otimista”

***

Ah, como me maltrataste
Ordenavas a mim: Sejas otimista
Desde que eu me afastasse
E buscasse outra conquista

Que raiva sinto hoje
Por ter acreditado
E expressado com flores
Meu sonho despedaçado

Nem mesmo um obrigado
Daqueles vivos e imediato
Só eras depois do ato
Ouvi teu ingrato obrigado

Maldito sonho
Risada dos anjos
Viram-me ingênuo e tolo
Implorando aos santos

Pois bem, por amor continuei
No impossível acreditei
Palavras infantis louvei
E sábias desperdicei

E cartas de amor te mandei
Só cartas do vento encontrei
Com força e coragem te liguei
Em vãs esperas, decepcionei

Sorrisos frios enfrentei
Como um anjo te enxerguei
Com teus atos sóbrios deparei
Sem me ouvires, magoei

***

Em seu encanto me perdia,
Desejei-a com inocência,
Perdoe-me a deselegância
Agir era tudo que eu não sabia,

Pra dar, só dedicação eu tinha
Serias pra mim uma sina
Condenação paradisíaca
Mas tua atenção não seria minha

Teus olhos me enfeitiçaram
E noutra direção olharam
Noutra paixão se fixaram
E com pena me ignoraram

Foste por muitas vezes
Música aos meus ouvidos
Tua voz macia e melodiosa
Parecia contar-me segredos

Rede que meu ser acolhia
Serena melodia que me faltava
Meu coração ansioso confiava
E em segurança adormecia

Mas teu silêncio falante
Via-me carente e insinuante
Gritou meus limites
E acordei; assustado e calado

Ah, como me maltratas
Profundas virtudes eu tinha
Mas exigias vívidas palavras
Que nunca seriam minhas

Naturalmente as escondidas
Socialmente tu conquistas
Paixões tímidas e súbitas
Para bem usufruí-las

Te abraçando tão intensamente
Te beijando lentamente
Aspirando incessantemente
Nossas almas ardentes

Mas foi incompleto, sem entrega
Entreguei minha alma, rejeitaste
Encontros secretos, estavas cega
Me senti sem valor, um traste

Sacrifício dolorido
Mas necessário; Mal necessário
Mas nem quiseste ser
Meu sublime calvário

E enfim, até meu nome
O pouco que me dá orgulho
Trocaste sem dó; Lá de cima
Me empurraste do muro

A queda foi dura, foi decepcionante
Eu vi tudo na tua vergonha
Feitos inúteis e angustiantes
Acabou! Declarou-se a derrota

Minha voz é fraca e pálida
Murmura essa dor gélida
Desabafa em cálido hálito
Nossa poética lástima

/ Ronaud Pereira /

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